CONTRIBUIÇÃO DA FIXAÇÃO BIOLÓGICA DE NITROGÊNIO NA CULTURA DA SOJA EM ÁREAS COM ALTAS PRODUTIVIDADES NO CERRADO DE GOIAS (GO) E EM CAMPOS DOS GOYTACAZES (RJ)
Glycine max L., Balanço de nitrogênio, FBN, Sustentabilidade.
A soja é a principal cultura de grãos do Brasil, destacando-se tanto em área cultivada quanto em produção. Apesar do crescimento anual relativamente modesto da área plantada (cerca de 2,8%), os ganhos em produtividade podem ser maximizados. Em regiões com elevados rendimentos (>4.200 kg ha⁻¹), a produção pode ultrapassar o dobro da média nacional (3.533 kg ha⁻¹), evidenciando que o potencial produtivo da cultura ainda não foi plenamente explorado. E em regiões onde o cultivo não está em fase de estabelecimento, faz-se necessário investigar a contribuição da fixação biológica de nitrogênio (FBN) para a cultura e para o sistema de produção como um todo. Nesse contexto, pesquisas continuam a ser conduzidas visando não apenas o aumento da produtividade, mas também a sustentabilidade do sistema de produção, com destaque para a manutenção ou incremento da FBN. Assim, o objetivo deste estudo foi quantificar a contribuição da FBN em condições de campo por meio da técnica da abundância natural de ¹⁵N. Foram avaliadas cinco cultivares de soja de alta produtividade em Latossolo Vermelho no Cerrado de Rio Verde - GO e quatro cultivares em solo Cambissolo em Campos dos Goytacazes-RJ, na safra 2022/23. Na safra 2023/24, cinco cultivares adicionais foram avaliadas em Campos dos Goytacazes-RJ. Em cada área experimental, a coleta foi realizada em quatro quadrantes representando as repetições. As variáveis analisadas incluíram massa seca, produtividade, índice de colheita (IC), índice de colheita para nitrogênio (ICN), contribuição da FBN e o balanço de N no sistema solo-planta. A contribuição da FBN na cultura foi alta, variando muito pouco entre as regiões avaliadas ficando próximas a 80%. Essa diferença regional também se refletiu nos balanços de nitrogênio, embora sempre positivos em todas as áreas e safras analisadas. Em Rio Verde, os balanços variaram de 21,18 a 36,83 kg ha⁻¹ de N, enquanto em Campos dos Goytacazes variaram de 13,62 a 34,58 kg ha⁻¹ na safra 2022/23 e de 11,97 a 33,84 kg ha⁻¹ na safra 2023/24, com destaque para as cultivares Aporé e DM 73i75 em Rio Verde e AS 3707 e BRS 1010IPRO em Campos dos Goytacazes. Esses resultados reforçam o papel central da FBN como principal fonte de N para a soja, garantindo balanços positivos de nitrogênio no sistema solo-planta e evidenciando seu potencial para sustentar produtividades elevadas (>4200 kg ha-1).