Efeitos de dietas com polens de Fabaceae ou Poaceae na sobrevivência e desenvolvimento dos três instares de Chrysoperla externa (Hagen) (Neuroptera: Chrysopidae) em laboratório
Zoofitófagos, onivoria, larva predadora, controle biológico conservativo.
As larvas da Chrysoperla externa (Hagen), bem como das demais espécies de crisopídeos, são sempre predadoras, capazes de consumir presas como pulgões, cochonilhas, ovos de lepidóptera e larvas de tegumento mole. Entretanto, o consumo de grãos de pólen pode ajudar insetos predadores a se manter em ecossistemas na ausência ou escassez de presas. A fim de investigar o hábito onívoro e os efeitos no desenvolvimento de larvas, o bioensaio foi conduzido no Laboratório de Controle Biológico de Insetos Fitófagos (LACOBIF) em delineamento inteiramente casualizado (DIC), usando os seguintes alimentos: pólen de crotalária (CR), pólen de feijão-de-porco (FP), pólen de milheto (MT), pólen de milho (MO) e pólen de sorgo (SO) e ovos da mariposa Ephestia kuehniella (Zeller) como presa. Cada espécie de pólen foi ofertada à larva, durante um instar e os outros dois instares foram alimentados com a presa ou com o mesmo pólen, nos seguintes regimes alimentar: (a) L1, L2 e L3 com pólen, (b) L1 e L2 com pólen, L3 com presa, (c) L1 e L3 com pólen, L2 com presa (d) L1 com pólen, L2 e L3 com presa, (e) L1 com presa, L2 e L3 com pólen, (f) L1 e L3 com presa, L2 com pólen, e (g) L1 e L2 com presa, L3 com pólen, consistindo, assim, em 7 tratamentos, cada um com 10 repetições. Três testemunhas foram incluídas, sendo em uma, os três instares alimentados com apenas a presa (controle positivo), noutra, estes instares que ficaram sem alimento (controle negativo) e, na terceira, as larvas foram alimentadas com solução de água e frutose. Foi observado que o consumo de pólen como alimento exclusivo durante o primeiro instar não promoveu desenvolvimento satisfatório das larvas, por outro lado a introdução de pólen após a oferta de presa possibilitou a continuidade do ciclo, contudo, impactou nos parâmetros de desenvolvimento e reprodução. Os pólens de Fabaceae promoveram alta mortalidade das larvas enquanto os de Poaceae permitiram avanço no desenvolvimento, mas prolongaram a fase na qual foram introduzidos quando comparados a testemunha positiva. Entre os polens de Poaceae, o milho apresentou desempenho ligeiramente superior aos demais. Sendo assim, o pólen pode ser adotado como alimento auxiliar no desenvolvimento de larvas de C. externa em momento de ausência ou escassez de presa, contudo, seu uso como único alimento não proporciona o desenvolvimento de larvas até a fase adulta.