CARACTERIZAÇÃO DE RESISTÊNCIA NTSR EM Conyza sumatrensis SOB DIFERENTES TEMPERATURAS
estresse oxidativo; homeostase redox; transporte sistêmico ; compartimentalização vacuolar
A resistência não relacionada ao sítio de ação constitui importante desafio para o manejo de plantas daninhas. Este tipo de resistência envolve alterações na absorção, translocação, compartimentalização, metabolismo e proteção celular contra os danos promovidos pelos herbicidas, dificultado o manejo dessas espécies. Além disso, a expressão desses mecanismos pode variar conforme as condições ambientais, fatores que devem ser melhor explorados. Objetivou-se avaliar a influência da temperatura sobre a eficácia do diquat e do glifosato em biótipos resistente e suscetível de Conyza sumatrensis e caracterizar as respostas fotoquímicas, fisiológicas, oxidativas, antioxidantes e relacionadas à detoxificação de herbicidas. Foram conduzidos dois experimentos independentes em ambiente controlado, ambos em esquema fatorial 2×2, constituído pelos biótipos resistente e suscetível e pelas temperaturas de 18 e 30 °C, em delineamento inteiramente casualizado, com quatro repetições. Os herbicidas foram aplicados em plantas de buva com 15 a 20 folhas. Avaliou-se o controle visual até 28 dias após a aplicação, as trocas gasosas, a fluorescência transiente da clorofila a, as espécies reativas de oxigênio, a peroxidação lipídica e as atividades de enzimas antioxidantes e do metabolismo da glutationa. No experimento com diquat, a temperatura elevada intensificou rapidamente o ciclo redox do herbicida, promovendo maior produção de O₂•⁻ e H₂O₂, aumento de MDA, redução da fotossíntese líquida e comprometimento precoce do transporte eletrônico e dos índices PIABS, PItotal, φRo e RE₀/RC. Aos 28 DAA, o biótipo suscetível morreu a 30 °C, enquanto, a 18 °C, apresentou rebrota. O resistente sobreviveu nas duas temperaturas, com menor controle no frio. A maior atividade de GR a 18 °C, associada à menor peroxidação de membranas, indicou preservação mais eficiente da homeostase redox, reduzindo a conversão do estresse inicial em dano irreversível. Já no glifosato, ocorreu resposta inversa. Aos 28 DAA, o biótipo resistente apresentou 96,25% de controle a 18 °C e 13,75% a 30 °C, enquanto o suscetível apresentou 86,67 e 35%, respectivamente. No frio, os efeitos foram inicialmente menos abruptos, mas evoluíram para redução persistente da assimilação de carbono e comprometimento do transporte eletrônico até os aceptores finais do fotossistema I. APX e GST foram superiores a 18 °C, e a γ-glutamiltransferase apresentou resposta temporal distinta entre os biótipos, indicando mobilização do metabolismo vacuolar da glutationa, sem comprovar sequestro protetor do herbicida. Conclui-se que a temperatura modulou de maneira contrastante a eficácia dos herbicidas e a expressão fenotípica da resistência. O calor favoreceu a ação oxidativa e o controle pelo diquat, enquanto o frio preservou mecanismos antioxidantes. Para o glifosato, o frio suprimiu a resistência e favoreceu uma ação sistêmica mais persistente, ao passo que o calor permitiu a sobrevivência dos dois biótipos, provavelmente por alterações na disponibilidade, translocação ou compartimentalização celular do herbicida.