COUTO, Tarcisio Rangel do. Conservação, diversidade genética e micropropagação de gérberas cultivadas em Seropédica, RJ. 2018. 149p. Tese (Doutorado em Fitotecnia). Instituto de Agronomia, Departamento de Fitotecnia, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Seropédica, RJ, 2018.
Gerbera jamesonii , regulador de crescimento, recurso genético vegetal.
A gérbera é uma das mais importantes flores de corte comercializadas no mundo, ocupando o quinto lugar entre as flores neste rancking. As cultivares modernas de gérbera apresentam grande variabilidade em decorrência do melhoramento genético, que iniciou com o cruzamento de duas espécies sul-africanas, Gerbera jamesonii e Gerbera viridifolia, originando a Gerbera hybrida. A micropropagação é o método de propagação mais utilizado comercialmente para esta espécie, pois produz grande quantidade de mudas de forma mais rápida que a natural. O objetivo desta pesquisa foi estabelecer um protocolo de micropropagação de gérberas com o intuito de fornecer subsídios para a conservação e multiplicação de genótipos superiores, analisar as fases do cultivo in vitro para produção massal de mudas, bem como avaliar sua diversidade genética. Para tanto foi feita avaliação da diversidade genética de 14 matrizes de gérberas com base em descritores morfológicos de folhas e flores. Também foi realizado o protocolo de micropropagação dos genótipos selecionados, dispondo de dois experimentos. No primeiro foi desenvolvido um protocolo compreendendo todas as fases da micropropagação, posto que: no estabelecimento in vitro utilizou-se folhas com pecíolo como explante; na multiplicação foram testados diferentes concentrações de BAP (6-benzilaminopurina) e ANA (ácido naftaleno acético); no enraizamento in vitro foram testados diferentes níveis de ANA, concentrações de sacarose e meio de cultura MS, bem como analisado o enraizamento dos genótipos nos meios MS e B&G® e a aclimatização. Já no segundo experimento de micropropagação, foi otimizado o balanço hormonal citocinina/auxina dos genótipos por meio de diferentes concentrações de BAP e ANA. Diante dos resultados, observou-se a formação de vários grupos de genótipos de gérberas quando testada a distância Euclidiana e Mahalanobis para dados quantitativos, sendo o algoritmo de Gower o mais eficiente por ter proporcionado a formação de grupos contrastantes para as características qualitativas e quantitativas analisadas conjuntamente. A análise de componentes principais identificou que os descritores quantitativos referentes à largura da flor ligulada do raio externo, largura de folha, comprimento do pedúnculo, altura do invólucro do capítulo e diâmetro do disco foram os que menos contribuíram para a diversidade genética. Durante o desenvolvimento do protocolo de micropropagação houve a perda de sete genótipos por contaminação fúngica e bacteriana e constatou-se diferenças entre os genótipos para o número de brotações produzidas. No enraizamento foi verificado que o meio MS completo, suplementado com 30 g L-1 de sacarose e sem adição de ANA, proporcionou a obtenção de mudas de maior tamanho e com melhor enraizamento. Também foi visto que o meio B&G® proporcionou melhores respostas para enraizamento e tamanho das mudas e, na fase de aclimatização, a taxa de sobrevivência foi alta. Por fim, a avaliação do balanço hormonal indicou a melhor concentração de BAP e ANA para cada genótipo de gérbera referente às variáveis número de brotos por explante e comprimento médio dos brotos. Neste contexto, constatou-se a existência da diversidade genética da coleção de gérberas da UFRRJ e estabeleceu-se um protocolo eficiente de produção massal de mudas de gérbera.