Impacto de herbicidas sobre bactérias diazotróficas associadas à cultura do arroz vermelho
Oryza sativa, plantas daninhas, microrganismos promotores de crescimento vegetal
O uso de microrganismos que promovam o crescimento vegetal vem sendo estudado como uma das estratégias para incremento da produtividade e sustentabilidade da cultura do arroz. Diversos fatores reduzem a produtividade de cultivos de arroz (Oryza sativa L.), com destaque para as plantas daninhas que competem com a cultura por luz, água e nutrientes. Neste caso, o uso de herbicidas se justifica, especialmente quando as infestações acarretam altas perdas na produtividade de grãos. Diante disso, objetivou-se avaliar o efeito de herbicidas seletivos em estirpes de bactérias diazotróficas associadas à cultura do arroz, variedade Vermelho Pequeno. Foram conduzidos três experimentos sendo o primeiro com objetivo de avaliar o crescimento in vitro de estirpes bacterianas (Herbaspirillum seropedicae, estirpe ZA25, ZAL95, Z67, ZAE94, 26H e Azospirillum brasilense 245) após aplicação dos herbicidas Cialofope-butílico nas doses 225, 450, 675 e 900, Penoxsulam 60, 120, 180 e 240 e Quinclorac 375, 750, 1125 e 1500 g i.a ha-1; no segundo avaliou-se a germinação de sementes de arroz vermelho inoculadas com bactérias diazotróficas Herbaspirillum seropedicae, estirpe ZA25, ZAL95, Z67, ZAE94, 26H e Azospirillum brasilense estirpe 245, tratadas com herbicidas Cialofope-butílico, Penoxsulam, Quinclorac, nas doses 225, 60 e 375 g i.a ha-1, respectivamente e; no terceiro objetivou-se avaliar o crescimento e produção de arroz vermelho inoculado com bactérias diazotróficas Herbaspirillum seropedicae, estirpes ZA25, ZAL95, Z67, ZAE94, 26H e Azospirillum brasilense estirpe 245 e tratadas com herbicidas Cialofope-butílico, Penoxsulam, Quinclorac, nas doses 225, 60 e 375 g i.a ha-1, respectivamente. Os dados quantitativos dos experimentos dois e três foram submetidos a análise de variância pelo teste F e quando significativos as médias foram comparadas pelo teste Scott-Knott, a 5% de probabilidade. No experimento um verificou-se crescimento normal das bactérias na testemunha sem herbicida e nos tratamentos que receberam 225, 450 e 675 g ia ha-1, 60, 120, e 180 g i.a ha-1, 375, 750 e 1125 g i.a ha-1 dos herbicidas Cialofope-butílico, Penoxsulam e Quinclorac, respectivamente. Nos tratamentos que incluíam as maiores doses dos herbicidas, verificou-se inibição do crescimento das bactérias, com exceção da estirpe 245. No experimento dois a variável número de raízes se mostrou estatisticamente diferente para a estirpe 245, ademais não houve efeito dos herbicidas testados. No terceiro experimento, em coleta realizada aos 30 dias após o plantio os valores de massa fresca de raiz e parte aérea e massa seca da parte aérea, apresentaram diferença significativa, tendo se sobressaído as estirpes ZA25 e 245. As estirpes ZAL95, 26H e 245 foram as que proporcionaram melhor desempenho para massa seca de raiz. Na coleta realizada no florescimento, aos 60 dias após o plantio, as variáveis mantiveram o mesmo comportamento observado na primeira coleta. Na coleta realizada ao final do ciclo da cultura, valores significativos foram encontrados para as variáveis massa fresca e seca de raiz e massa dos grãos, com melhor desempenho das plantas de arroz proporcionado pelas estirpes 245 e ZA25. Portanto, as estirpes bacterianas foram resistentes a até três vezes a dose recomendada de todos herbicidas testados. A inoculação, contribuiu para o aumento do número de raízes, massa fresca e seca da parte aérea e raiz e massa de grãos. Entre as estirpes estudadas, a ZA25 e a 245 foram as que promoveram maior crescimento vegetal.