Utilização de Composto Orgânico na Fertilização de Brócolis e Efeitos no Desenvolvimento da Hérnia das Crucíferas
Brassica oleracea var. italica. Plasmodiophora brassicae. Cama de aviário.
A família Brassicaceae abrange várias espécies de hortaliças de importância econômica e social. Na Região Serrana do Estado do Rio de Janeiro, grande produtora de brássicas, produz-se brócolis o ano todo em pequenas áreas de agricultores familiares e com uso massivo de cama de aviário como fertilizante. Um dos principais entraves ao cultivo regular de brócolis e de outras brássicas é a hérnia das crucíferas, causada por Plasmodiophora brassicae, cujas perdas estão associadas a falhas de manejo do solo e da cultura. Como as perdas pela doença podem ser agravadas pelas características químicas e físicas do solo e pouco se sabe sobre o efeito de compostos orgânicos sobre o seu desenvolvimento, realizou-se o presente trabalho com os objetivos de: a) ajustar metodologia para estudo do efeito da cama de aviário sobre a cultura do brócolis e sobre a hérnia das crucíferas em ambiente controlado, ajustando a dose ideal de composto e da densidade de esporos resistentes do patógeno; b) avaliar o efeito da época de aplicação da cama de aviário sobre a intensidade da doença e crescimento e produção de brócolis. Inicialmente, avaliou-se em ensaio em condições de casa de vegetação, o efeito da aplicação de seis doses de cama de aviário compostada, equivalentes a 0, 30, 60, 90, 120, 150 kg de N ha-1, em parcelas inoculadas ou não com esporos resistentes de P. brassicae (4,17 x 106 esporos por g de solo), em esquema fatorial 6x2 e 4 blocos. Em seguida, realizou-se um ensaio a fim de ajustar densidades inóculo de P. brassicae a fim de utilizar nos ensaios subsequentes, avaliando cinco diferentes densidades (1,39 x 102, 1,39 x 103, 1,39 x 104, 1,39 x 105 e 1,39 x 106 esporos por g de solo). Posteriormente, realizaram-se dois ensaios em duas casas de vegetação e em dois solos distintos para avaliar o efeito da data de aplicação da cama de aviário, no dia do transplantio das mudas e aos 7 e 14 dias anteriores ao transplantio, comparado à adubação mineral em parcelas inoculadas ou não com esporos resistentes do patógeno. Utilizou-se densidade de esporos previamente ajustada (106 esporos de P. brassicae por mL, equivalente a 6,25 x 103 esporos por g de solo), a dose de 90 Kg de N por ha e testemunha com dose equivalente de NPK. Adotou-se o delineamento de blocos ao acaso em esquema fatorial 4x2. No primeiro ensaio, observou-se alta incidência e severidade da doença em todas as doses de composto testadas devido à alta concentração de inóculo utilizada. Nas parcelas não inoculadas, observou-se incrementos no crescimento e acúmulo de biomassa nas plantas em função da dose, com ótimo em dose próxima a 90 Kg de N ha-1. No ensaio de ajuste de densidade de inóculo, foi selecionada a densidade 106 esporos de P. brassicae por mL, já que proporcionou alta incidência e média severidade da doença. No estudo de épocas de aplicação da cama de aviário, constatou-se que este composto, independente da época de aplicação, pode favorecer o desenvolvimento da doença quando comparado à adubação apenas com fontes minerais. Em parcelas não inoculadas, observou-se ganhos significativos de biomassa das plantas com a aplicação da cama de aviário, comparada à adubação mineral, com melhor resultado quando a aplicação foi feita aos sete dias antes do transplantio. Conclui-se que adubação com cama de aviário, independente da época de aplicação em pré-plantio, favorece o desenvolvimento e produção de brócolis, mas que este benefício é anulado em solos contaminados com esporos resistentes do patógeno por favorecer o desenvolvimento da hérnia das crucíferas.