Aspectos fitossociológicos de nabiça (Raphanus raphanistrum) em áreas de cultivo de brássicas, interação com Plasmodiophora brassicae e importância na epidemiologia de hérnia das crucíferas em Nova Friburgo, RJ.
Planta daninha; esporos de sobrevivência; ciclo de vida da hérnia das crucíferas.
A Região Serrana do Rio de Janeiro, grande produtora de brássicas, tem um cultivo intensivo e sequenciado em pequenas unidades familiares. As limitações mais citadas pelos produtores são as pragas e doenças, sendo a hérnia das crucíferas, causada por Plasmodiophora brassicae, uma das mais frequentes. É um patógeno específico da família Brassicaceae, biotrófico e com capacidade de sobrevivência no solo. A distribuição generalizada de nabiça (Raphanus raphanistrum), pertencente a esta mesma família, pode estar contribuindo para a sobrevivência do patógeno e perdas pela doença. Dito isto, realizou-se o presente trabalho com os objetivos de: a) avaliar características fitossociológicas de nabiça em áreas de cultivo de brássicas e a incidência da hérnia das crucíferas em planas de nabiça; b) avaliar a suscetibilidade de nabiça a P. brassicae, o ciclo do patógeno em nabiça e o seu possível papel na sobrevivência deste; c) avaliar esporos, extraídos de nabiça e seu papel na manutenção do ciclo do patógeno. O trabalho foi realizado em duas etapas, sendo duas coletas de plantas daninhas em áreas de produção em Nova Friburgo, RJ, e 3 ensaios, em casa de vegetação no Instituto de Agronomia da UFRRJ. As coletas de plantas daninhas foram feitas nos meses de fevereiro e agosto de 2023. Realizaram-se a identificação de espécies, contagem de indivíduos, aferição da massa seca e, em seguida, calculados os índices fitossociológicos. A suscetibilidade de nabiça à P. brassicae, em comparação com couve-flor, rúcula e nabo, foi avaliada com base na infecção de pelos radiculares e do córtex radicular. A infecção de pelos radiculares foi avaliada aos 2 e 7 dias após a inoculação (DAI) com 2,4 x 106 esporos resistentes por cm³ de areia. A avaliação da infecção do córtex foi avaliada aos 35 DAI com 4,8 x 107 esporos do patógeno por cm³ de solo. Avaliou-se, ainda, a infectividade dos esporos extraídos de nabiça coletadas no campo, em comparação aos extraídos de couve-flor via inoculação de plantas de couve-flor com 3,0 x 106 esporos por cm³ solo e avaliação aos 35 DAI. Plantas de nabiça, identificadas como Raphanus raphanistrum, foram encontradas no período de verão e, principalmente, de inverno, e com presença de galhas rudimentares. Nos testes de inoculação, as plantas de nabiça apresentaram infecção de pelos radiculares e do córtex e produção de esporos resistentes mas, em menor incidência e severidade que as três demais espécies. Os esporos extraídos de nabiça eram viáveis e infectaram de forma eficiente as plantas de couve-flor. Conclui-se que a nabiça é uma planta daninha prevalente na região de produção de brássicas e suscetível a P. brassicae e que assim contribui para a sobrevivência do patógeno na região.