Potencial entomopatogênico de estirpes de Bacillus contra Spodoptera frugiperda (Lepidoptera: Noctuidae) e efeitos da interação com bactérias diazotróficas e nitrogênio no desenvolvimento do milho (Zea mays L.) em campo
Controle biológico; Insetos-praga; Nitrogênio; Produtividade.
Spodoptera frugiperda é uma das pragas de maior importância econômica na paisagem agrícola brasileira. A eficácia do controle tradicional com pesticidas químicos tem diminuído devido ao aumento da resistência dessa espécie, o que levou à busca por alternativas mais sustentáveis. Uma dessas alternativas é o uso de bactérias do gênero Bacillus, especialmente B. thuringiensis, que produzem toxinas específicas para as espécies-alvo, sendo uma solução mais eficiente para o controle de S. frugiperda. Nessa perspectiva, o objetivo desse estudo foi avaliar e selecionar estirpes de Bacillus com capacidade entomopatogênica sobre S. frugiperda na cultura do milho (Zea mays L.). Foram testadas 40 estirpes pertencentes ao grupo B. cereus, previamente caracterizadas e classificadas taxonomicamente, oriundas do Laboratório de Genética e Bioquímica da Embrapa Agrobiologia. Realizaram-se bioensaios em laboratório, cujo objetivo foi avaliar a mortalidade in vitro das lagartas de primeiro ínstar. Dentre as estirpes testadas, a estirpe Btk S76 destacou-se, causando mortalidade superior a 90% das larvas em até sete dias, enquanto as demais estirpes apresentaram mortalidade inferior a 33%. Este resultado foi considerado promissor e satisfatório para a fase em laboratório, por isso a estirpe Btk S76 foi submetida para uma nova fase na casa de vegetação em que se observou efeito significativo do tipo de pulverização com esporos de B. thuringiensis. A média da nota de ataque das larvas de S. frugiperda foi de apenas 2,1 (em uma escala de até 5, nível maior de dano) para o uso de células esporuladas na pulverização. Na área foliar, notou-se superfície maior íntegra para o tipo de pulverização com esporos (220,78 cm²), o que reitera a eficiência da disponibilização da bactéria esporulada no controle dessa praga. As médias de ambos os resultados diferiram significativamente do controle. Com o objetivo de avaliar o potencial dessa estirpe no controle de S. frugiperda no campo, foi instalado um experimento em associação com bactérias diazotróficas promotoras de crescimento de plantas e níveis de nitrogênio. O experimento foi conduzido no Campo Experimental da Embrapa Agrobiologia, Seropédica/RJ. Foi utilizado o delineamento de blocos casualizados e o estudo consistiu de seis tratamentos de inoculação e quatro doses de nitrogênio (15, 40, 80 e 120 kg ha-1), com e sem pulverização da estirpe Btk S76. Os resultados indicaram que a inoculação com algumas bactérias, como, por exemplo, o mix CNPAB (Azospirillum argentinense) e o inoculante comercial de A. brasilense (Ab-V5 e Ab-V6), assim como da estirpe S76 de B. thuringiensis apresentaram um impacto significativo no peso do colmo. No entanto, a maioria dos parâmetros biométricos, exceto o peso da espiga, não apresentou variação estatística significativa. A interação entre a pulverização da estirpe Btk S76 com as doses de nitrogênio mostrou-se relevante para o peso da espiga, com a dose de 80 kg ha-1 de N proporcionando os maiores resultados. Os ganhos em produtividade, como observado no peso dos grãos apresentou resposta positiva em função das quatro doses de nitrogênio (15, 40, 80 e 120 kg ha-1). Em resumo, os dois estudos apontaram para o potencial de uso da estirpe de Btk S76 e a combinação de inoculação bacteriana com doses adequadas de nitrogênio, na otimização do manejo de pragas e da produção de milho cultivado em campo.