Identificação de Estirpes de Bacillus spp. Eficientes no Controle da Murcha De Fusarium do Tomateiro e Mecanismos Envolvidos
Murchas vasculares, Controle biológico, Solanum lycopersicum, Endofíticos.
O tomateiro (Solanum lycopersicum L.) é uma das hortaliças mais produzidas e consumidas no Brasil e no mundo e com grande importância social e econômica. É suscetível a várias doenças que podem acarretar grandes perdas em produtividade e qualidade dos frutos. Dentre estas, está a murcha de fusarium, causada pelo fungo Fusarium oxysporum f. sp. lycopersici (Scc.) Snyder e Hansen (Fol) que é uma das doenças mais limitantes à produção de tomateiro. Trata-se de um patógeno hemibiotrófico com especificidade hospedeira, a
nível de espécie e variedade, e sobrevivência em restos culturais e no solo. Uma vez introduzido pode se estabelecer e permanecer por longo prazo. O uso de cultivares resistentes é a estratégia de controle mais eficiente, mas que pode ser afetada pela seleção e disseminação de novas raças. O controle biológico com microrganismos antagonistas é uma das alternativas que mais tem sido investigada visando a supressão da doença. Entre os organismos mais utilizados no biocontrole de doenças estão espécies de Bacillus e, entre os
mecanismos de controle envolvidos está a produção de compostos bioativos com efeito antagônico ao patógeno ou com efeitos sobre a planta como indutores de resistência sistêmica ou promotor de crescimento. Em 2015, foram isoladas diferentes cepas de Bacillus a partir de plantas sadias de tomateiro coletadas no município de Nova Friburgo, RJ, onde Fol está amplamente disseminado. Sessenta isolados bacterianos desta coleção foram
submetidos a testes de antagonismo in vitro contra Fol e oito deles foram selecionados devido a capacidade em reduzir em pelo menos 50% o crescimento micelial do fitopatógeno. DEST 30, DEST 31, DEST 38, DEST 60, DEST 78, DEST 83, DEST 132 e DEST 138 foram então submetidas a caracterização taxonômica e funcional. A primeira foi realizada através do sequenciamento da subunidade 16S RNAr. Já para a caracterização funcional as
cepas foram submetidas a uma série de testes in vitro onde todas as cepas demonstraram atividade proteolítica e foram capazes de produzir sideróforos, a maior parte também apresentaram atividade celulolítica e pectinolítica. A partir dos resultados obtidos nestes ensaios, as bactérias, DEST 31, DEST 60, DEST 83 e DEST 132 foram selecionadas para serem testadas como agentes de biocontrole de murcha de fusarium em mudas de tomate cultivadas em casa de vegetação, no entanto não promoveram resultados benéficos significativos contra a doença.