Viabilidade econômica de um cultivo agroecológico de hortaliças e a utilização da
geoestatística para caracterização da distribuição espacial e temporal de insetos
predadores na área de cultivo
Princípios agroecológicos; policultivos; insetos benéficos; Entomopalinologia.
No Brasil, a cadeia produtiva de hortaliças tem uma grande importância econômica e social, com
um montante financeiro total de US$ 19,03 bilhões em 2016, correspondendo a um PIB de US$
5,35 bilhões. A maioria da produção de hortaliças é realizada por pequenos e médios produtores,
sendo que a agricultura familiar tem papel fundamental. As hortaliças representam 60% do
mercado brasileiro de produtos orgânicos, que movimenta US$ 300 milhões por ano. O Sistema
Integrado de Produção Agroecológica, mais conhecido como Fazendinha Agroecológica do km
47, é uma unidade de pesquisa, ensino e capacitação que acumula 25 anos de experiencia sobre
produção orgânica vegetal e animal integrada, em bases agroecológicas, localizado no município
de Seropédica, RJ. Em 2010, foi implantado o Módulo de Produção Orgânica Intensiva de
Hortaliças – MPOIH (1,02 ha) no SIPA com objetivo de desenvolver tecnologias de produção
orgânica de hortaliças, com base em policultivo de inúmeras espécies e cultivares de hortaliças,
consorciadas ou não, em associação ao uso da adubação verde, prezando o mínimo de
dependência de insumos externos e gerar trabalho e renda para uma família de quatro pessoas.
Esse módulo consistirá na área experimental da pesquisa de tese. Em 2016, a Confederação da
Agricultura e Pecuária do Brasil citou a dificuldade do uso do controle biológico entre os
desafios enfrentados pela cadeia das hortaliças. Há também uma crescente demanda dos
produtores orgânicos por métodos biológicos de controle de pragas. Entre as estratégias desse
método, tem-se o controle biológico conservativo, o qual trata da conservação dos inimigos
naturais através de práticas de manejo do agroecossistema, como o aumento da diversidade
vegetal dentro da propriedade e de seu entorno. Os insetos predadores popularmente conhecidos
como joaninhas (Coleoptera: Coccinellidae) e crisopídeos (Neuroptera: Chrysopidae) são
importantes agentes de controle de pragas de hortaliças, mas eles possuem fases da vida que
dependem de fornecimento de recursos florais que nem sempre estão disponíveis no
agroecossistema. A biodiversidade dos agroecossistemas pode funcionar como áreas de refúgio e
fonte de recursos alimentares, como pólen e néctar, para inimigos naturais, quando manejada
para tal fim. Assim, entre os desafios do manejo do habitat para aumento da diversidade e
abundância de insetos predadores estão a escolha das espécies botânicas a ser usadas, o arranjo
dessas espécies botânicas no campo e o conhecimento sobre a dispersão desses inimigos naturais
na área de cultivo. No Brasil e no mundo, a distribuição espacial de insetos-praga em
monocultivos já está sendo descrito por modelos matemáticos, como pelo uso da Geoestatística,
mas pouco se tem na literatura no entendimento sobre a distribuição de inimigos naturais nesses
sistemas, muito menos ainda em sistemas diversificados. Nesse contexto, a pesquisa de tese tem
como objetivo avaliar a dinâmica populacional de joaninhas e crisopídeos, considerando a
diversidade de culturas agrícolas manejadas dentro do MPOIH e avaliar se é economicamente
viável para sustentar uma família de 4 pessoas. Para tal, os seguintes objetivos específicos foram
estabelecidos: (1) determinar a flutuação populacional desses insetos predadores em dois anos
agrícolas consecutivos, (2) caracterizar a distribuição espacial e temporal desses insetos dentro
do MPOIH nesse período usando a Geoestatística, (3) descobrir possíveis fontes de pólen para
esse predadores no MPOIH, identificando os grãos de pólen ingeridos pelos adultos desses
insetos com o uso da Palinologia, e (4) avaliar a viabilidade econômica do MPOIH ao final de
um ano agrícola.