Estudos citogenéticos, reprodutivos, moleculares e químicos como ferramenta auxiliar no melhoramento genético da erva-cidreira brasileira (Lippia alba), quimiótipo citral
Divisão celular; Meiose; Reprodução vegetal; Marcadores de DNA; Metabólitos secundários; Cromatografia; Espectrometria de massa; Óleos Essenciais.
A erva-cidreira brasileira (Lippia alba) possui um grande potencial medicinal. Porém, genótipos selecionados se fazem necessários, já que existe uma grande variação química no seu óleo essencial. Portanto, conhecer a sua estabilidade reprodutiva e como se processa a reprodução na espécie são importantes. Tecnologias modernas que contribuem para a seleção de plantas para qualidade do óleo também devem ser implementadas. Portanto, a presente pesquisa teve por objetivos analisar, em genótipos de erva-cidreira brasileira (Lippia alba) quimiótipo citral, o comportamento meiótico durante a formação dos grãos de pólen, investigar evidências de autofecundação e de barreiras para a sua ocorrência e verificar as possibilidades de se aplicar marcadores de DNA ISSR na seleção de genótipos citral para qualidade química de óleo essencial. Para tal, analisaram-se diferentes genótipos de erva-cidreira brasileira quimiótipo citral da coleção de germoplasma do Departamento de Fitotecnia/IA da UFRRJ. No primeiro capítulo, foram coletados botões florais e fixados em ácido acético e etanol 70% até o uso. Anteras dos botões foram retiradas e digeridas com pectinase/celulase. As células meióticas foram coradas com carmim acético, e os grãos de pólen com Solução de Alexander. Todas as lâminas foram observadas em microscópio óptico. Analisaram-se as fases da meiose, o número de cromossomos, o nível de ploidia e estimaram-se os índice meióticos (IME) e de viabilidade polínica (VIA). Também foram estimados o coeficiente de determinação genotípico e outros importantes parâmetros genéticos a partir do IME e VIA. O segundo capítulo envolveu a coleta de botões florais em paraformaldeído. Estes foram coletados após autofecundação natural e artificial, e após polinização cruzada. Os botões foram amaciados com NaOH e corados com azul de anilina. As lâminas foram observadas em microscópio de fluorescência. Observaram-se a presença/ausência de tubos polínicos no estigma, estilo e cavidade ovariana dos botões. O terceiro capítulo constou da análise de 28 genótipos da coleção, oriundos de Minas Gerais e Rio de Janeiro. Estes tiveram o seu óleo extraído via hidrodestilação (Clevenger) a partir de folhas secas. Em seguida, os óleos foram analisados em CG-EM. Os genótipos também tiveram o seu DNA extraído e analisado via marcadores de DNA do tipo ISSR. Estimaram-se as diversidades químicas e moleculares, utilizando agrupamento UPGMA. Em seguida, os dendrogramas foram correlacionados para obtenção do coeficiente de estrangulamento (COE), cujo objetivo foi verificar o quanto os marcadores ISSR contribuem na seleção de plantas para qualidade de óleo essencial. Os resultados meiose sem alterações. A espécie é diplóide com 2n=2x=30 cromossomos. O IM (94,38%) e a VIA (94,32%) tiveram maior controle genético (H2=91,50 e 76,77%, respectivamente). A espécie não apresentou sistemas de autoincompatibilidade genética, já que detectaram-se tubos polínicos no estigma, estilo e cavidade ovariana dos genótipos. Conclui-se que a erva-cidreira brasileira pode ser autofecundada. Barreiras físicas para autofecundação foram encontradas. Em relação as análises química e molecular, os genótipos foram agrupados conforme perfil químico dos óleos essenciais. O COE foi estimado em 0,24, indicando alta correspondência química e molecular. Foi possível aplicar os marcadores ISSR para seleção de plantas para qualidade de óleo essencial em erva-cidreira brasileira.