Eficiência agronômica da fertilização com composto fermentado, formulado com resíduos agroindustriais, na produção de brócolis americano em manejo orgânico
FBrassica oleracea var. italica; cultivar; adubação orgânica; resíduo de cervejaria; época de plantio.
O brócolis americano (Brassica oleracea var. italica) é uma das principais hortaliças produzidas no Estado do Rio de Janeiro, especialmente na Região Serrana, mas com poucas informações sobre a cultura na Região da Baixada Fluminense e em sistemas orgânicos. Por ser uma cultura adaptada a clima frio e por existir demanda de brócolis o ano inteiro é importante realizar pesquisas que possibilitem a ampliação das épocas e locais de cultivo e a oferta de adubos orgânicos com boa eficiência agronômica e compatíveis com a legislação da agricultura orgânica. Desta forma, desenvolveu-se o presente trabalho com os objetivos de: a) avaliar composto fermentado, obtidos com a mistura de resíduo de cervejaria (RC), de farelo de trigo (FT), e de farelo de mamona (FM), sobre o desenvolvimento de brócolis americano considerando cinco doses distintas; b) avaliar a resposta de três cultivares de brócolis americano à adubação com as doses do formulado proposto; c) avaliar o desempenho das cultivares, submetidas às respectivas doses do formulado, em duas épocas de cultivo na Região da Baixada Fluminense, RJ. Foram realizados dois ensaios consecutivos, de 02 de maio a 08 de agosto e de 19 de junho a 04 de setembro de 2023, utilizando-se as mesmas fontes de variação, delineamentos e sistemas de manejo da cultura. Nestes, foram testadas três cultivares de brócolis americano (Legacy, Coliseu e Veratto), e cinco doses de composto fermentado do tipo “bokashi”, formulado com 50% de RC + 10% de FT + 40 % de FM, preparado na Fazendinha Agroecológica Km 47, de modo a fornecer 0, 100, 200, 300 e 400 kg de N por hectare. Adotou-se o delineamento de blocos casualizados, em parcela subdividida 3x5: três parcelas e cinco subparcelas e quatro repetições. Utilizaram-se canteiros de 58 x 1,20 m composta por 2,4 x 1,20 m, parcelas de 14,5 x 1,20 m e 40 plantas e, subparcelas de 2,4 x 1,20m e 8 plantas e espaçamento de 0,6 x 0,6 m. Foi obedecida distância de 0,5 m entre cada sub-parcela. Analisou-se o teor de nutrientes na folha índice, coletada na fase de emissão da inflorescência e, ao final do ciclo, avaliou-se o desenvolvimento das plantas, produção e qualidade das inflorescências. Foram medidos: altura do caule e número de folhas e massa fresca e seca (g) de folhas, caule e inflorescência e; diâmetro da inflorescência (cm). Os dados foram submetidos a análise de variância (ANOVA), de regressão e teste de Tukey (p<0,05) utilizando-se o software R. No primeiro ensaio, observou-se efeito significativo da interação dose x cultivar sobre massa fresca de caule, diâmetro (cm) e massa fresca e seca de inflorescência (g); aumento linear e significativo da produtividade com o incremento das doses do composto. No segundo, houve efeito significativo da interação cultivar x dose sobre a massa fresca e seca de inflorescência (g), altura (cm) e massa seca de folhas (g). Maior produtividade foi registrada na dose equivalente a 400 Kg de N por ha: 20,05, 21,86 e 15,04 t.ha-1 no primeiro ensaio; 21,36, 22,27 e 15,96 t.ha-1 no segundo, nas cultivares Legacy, Coliseu e Verato, respectivamente. Registrou-se maior qualidade e distribuição das colheitas no primeiro ensaio comparado ao segundo. Com base nos resultados, pode-se indicar o plantio das três cultivares em maio por permitir o escalonamento das colheitas na região de Seropédica – RJ, e adubação com o bokashi testado em quantidade equivalente à dose de 400 Kg N ha-1. Para plantios no mês de junho na região da baixada fluminense, as cultivares Coliseu e Verato são mais indicadas que a Legacy, pela maior qualidade das inflorescências nestas condições.