TECNOLOGIAS DE BASE ECOLÓGICA PARA O CULTIVO DO MARACUJAZEIRO: DESEMPENHO FITOTÉCNICO E CARACTERIZAÇÃO DA COMUNIDADE MICROBIANA DO SOLO FERTILIZADO COM COMPOSTOS FERMENTADOS FORMULADOS A PARTIR DE FARELOS VEGETAIS E RESÍDUOS AGROINDUSTRIAIS.
Agroecologia; adubação orgânica; maracujá-roxo; inoculantes microbianos; Gliricidia sepium; casca de aipim
A oferta de frutas oriundas de sistemas de produção de base ecológica no mercado consumidor do Rio de janeiro é limitada. No que se refere ao cultivo do maracujazeiro, a disponibilização de tecnologias derivadas de soluções baseadas na natureza e que tenham custo compatível com as possibilidades monetárias dos agricultores familiares, são demandas importantes para a transição agroecológia deste segmento. Práticas como o uso de espécies de cobertura de solo, principalmente da família Fabaceae, e do emprego da fertilização orgânica a partir do aproveitamento de resíduos agroindustriais, sobretudo de origem local ou regional, podem contribuir sobremaneira para a sustentabilidade dos sistemas de produção do maracujazeiro. Nessse sentido, a fertilização com compostos farelados fermentaos (CFF) pode promover além de benefícios para nutrição das plantas e influenciar a comunidade microbiana associada a solos sob cultivo do maracujazeiro. Em face do exposto, o objetivo geral deste projeto de tese é técnica o desenvolvimento de um sistema de produção do maracujazeiro conduzido com tutor vivo de gliricídia e fertilizado com composto farelado fermentado. O projeto constará três etapas experimentais, sendo: 1. Caracterizações químicas, físico-químicas e microbiológicas de diferentes formulações dos compostos farelados fermentados através de ensaio de incubação realizado em frascos de vidro no laboratório com delineamento inteiramente casualizado de 10 (formulações de CFF) x 3 (fontes de inóculo) e três repetições. Feito isso, outro novo ensaio será realizado escolhendo formulações de melhor desempenho e fazendo as análises com 0, 6, 12 e 21 dias após fermentação; 2. Ensaio em condições de campo com o cultivo do maracujá-roxo na área experimental da Fazendinha Agroecológica Km 47 em Seropédica, no qual serão testadas formulações com farelo de trigo – FT (60%) e farelo de mamona – FM (40%) inoculado com solução comercial (T1), com microorganismos capturados na mata (T2), e apenas a mistura dos farelos sem a inoculação (T3), além do controle (T4), com delineamento em blocos casualizados de 2 (ausência e presença do biocarvão como condicionador de solo) x 4 (formulações de CFF); 3. Experimento realizado em unidade de produção familiar no municío de Paracambi em que será avaliado o efeito no maracujazeiro das seguntes formulações: T1 - FT (60%) + FM (40%); T2 - FT (30%) + farelo de casca de aipim - FCA (30%) + FM (40%); T3 - FT (30%) + FCA (30%) + farelo de gliricídia – FG (40%); T4 - FM (100%); T5 - Sem adubação. Será utilizado delineamendo em blocos casualizados de 2 (presença e ausência da gliricídia como tutor vivo) x 5 (formulações do CFF). Avaliações de parâmetros fitotécnicos da cultura, bem como parâmetros de pós-colheita serão realizadas ao final. Como resultado espera-se que o uso do esteio vivo de gliricídia promova redução dos custos, bem como auxilie na fertilização do solo, e consequentemente aumente a produtividade das plantas de maracujá, através da formulação do composto farelado com resíduos agroindustriais e do uso do biocarvão como condicionador de solo.