Aspectos técnicos de produção de sementes agroecológicas de feijoeiro comum no Rio de Janeiro.
sementes crioulas, agricultura familiar, qualidade, feijão comum, cama de aviário.
Para garantir a independência dos agricultores familiares, é necessário que estes consigam
produzir e conservar suas sementes com qualidade, o que demanda atividades de articulação
entre ensino, pesquisa e extensão. A presente tese teve como objetivo contribuir com aspectos
técnicos para a produção de sementes de feijoeiro comum de base agroecológica e analisar os
processos envolvidos na produção informal de sementes agroecológicas no estado do Rio de
Janeiro nos aspectos legais, técnicos e das atividades envolvidas, a partir da articulação entre
o poder público e agricultores. Foram descritas e analisadas as ações desenvolvidas entre
2015 a 2018 no âmbito da Rede Estadual de Sementes Agroecológicas do Rio de Janeiro
(RESA-RJ) formada por agricultores, instituições públicas e entidades não governamentais.
Nos anos de 2015 e 2016, foram produzidas no campo experimental da Embrapa
Agrobiologia, em Seropédica - RJ, sementes de 7 cultivares de feijoeiro comum, sob sistema
orgânico, para distribuição entre os agricultores da RESA-RJ. A média de produção de grãos
das cultivares foi de 1361 e 1763 kg ha-1 em 2016 e 2017, respectivamente. Estas sementes
foram distribuídas para agricultores de 19 municípios, e realizou-se o acompanhamento e
análise da multiplicação destas sementes por 4 agricultores dos municípios de Araruama,
Engenheiro Pedreira e São José do Vale do Rio Preto. Foram conduzidos dois experimentos
de campo, entre novembro de 2017 e fevereiro de 2018, e abril e julho de 2018, na área
experimental da Pesagro-Rio em Avelar, Paty do Alferes - RJ, para avaliação de doses de
cama de aviário para a adubação de sementes de feijão comum de base agroecológica. Foi
empregado o delineamento experimental em blocos ao acaso em parcelas subdivididas com
quatro repetições, combinando quatro doses de cama de aviário (0, 2, 4 e 8 ton ha-1) nas
parcelas com duas cultivares (Radiante e Ouro Negro) nas subparcelas. Foram avaliadas a
nodulação, biomassa de parte aérea e rendimento de grãos. A cultivar Ouro Negro apresentou
maior produção na dose de 2 ton ha-1 e menor desempenho na maior dose (8 ton ha-1
). A cultivar Radiante apresentou maior produtividade associada a dose de 4 ton ha-1. A cultivar Ouro Negro apresentou em 2017, produtividade entre 595 e 1147 kg ha-1 e em 2018, entre
1792 e 2218 kg ha-1. Radiante apresentou em 2017, produtividade entre 666 e 1172 kg ha-1
e em 2018 entre 1398 e 1623 kg ha-1