CARACTERIZAÇÃO DE BACTÉRIAS DO GENERO BACILLUS PRESENTES EM PLANTAS DE CANA-DE-AÇÚCAR E AVALIAÇÃO DO POTENCIAL ENTOMOPATOGÊNICO NO CONTROLE DA BROCA GIGANTE (TELCHIN LICUS LICUS)
cana-de-açúcar, controle biologico, broca gigante, bactéria entomopatogenicas, Bacillus
A praga Telchin licus licus (broca gigante) tem maior ocorrência na região Nordeste e seu controle é bastante difícil, já que a larva fecha o orifício ocado logo após o corte da cana, o que torna o controle químico ineficiente. A catação manual é o único método eficiente, mas os custos com mão-de-obra são muito elevados. O uso de Bacillus thuringiensis (Bt) como alternativa ao controle químico tem se mostrado bastante eficiente, sendo este o microorganismo utilizado com maior sucesso no controle de insetos. Diante do exposto, este trabalho tem como objetivo isolar estirpes endofíticas de Bt de áreas produtoras de cana-de-açúcar e avaliar o potencial de controle contra a broca gigante. Para tanto foram coletadas larvas deste inseto, colmos e raízes de cana-de-açúcar de três usinas produtoras do estado de Alagoas para o isolamento. Todas as amostras obtidas passaram pelo processo de pasteurização. As amostras pasteurizadas foram diluídas e semeados em placas de Petri contendo meio BHI pH 7,0 e incubadas por período de 16 horas a 30oC. Foram isoladas um total de 796 bactérias, sendo 220 bactérias isoladas do líquido do apoplasto, 361 do cilindro central, 158 das raízes e 57 do trato digestivo da broca gigante. Foi realizada uma segunda etapa de pasteurização com os isolados bacterianos obtidos e dos 796 isolados bacterianos inicialmente obtidos, 425 cresceram após a nova pasteurização, sendo 108 do líquido do apoplasto, 48 da broca gigante, 94 das raízes e 175 do cilindro central. Os isolados crescidos após a segunda pasteurização foram caracterizados fenotipicamente através da coloração de Gram. A característica de Gram positiva, foi evidenciada para 161 dos 425 isolados, sendo 46 originários do líquido do apoplasto, 19 da broca gigante, 50 das raízes e 46 do cilindro central. Estudo para caracterização taxonômica de bactérias do gênero Bacillus utilizando o método de amplificação da região 16S RNAr foi realizado, sendo observado que os isolados pertenciam em sua maioria ao gênero Bacillus, seguido dos gêneros Paenibacillus, Lysinibacillus e Terribacillus. As espécies mais representativas foram B. megaterium, representando 11,5% dos isolados analisados filogeneticamente, seguido de B. safensis representando 10,8%, B. cereus representando 10%, B. oleronius representando 8,9%, B. amyloliquefaciens representando 7% e B. pacificus representando 6% dos isolados bacterianos analisados. A construção da árvore filogenética utilizando o programa MEGAv.6, permitiu dividir os isolados bacterianos em 18 grupos. No entanto, para separação em nível de espécie o método de amplificação da região 16S RNAr não é suficiente para microrganismos muito próximos, como é o caso das espécies B. cereus e B. thuringiensis (pertencentes ao mesmo grupo de acordo com a árvore filogenética). Diante disso, análises das regiões BOX estão em andamento, com o objetivo de separar esses grupos a nível de espécie e observar o grau de diversidade dos isolados obtidos. A fim de testar a capacidade e eficiência de controle das espécies isoladas contra larvas da broca gigante, foram realizados cinco bioensaios utilizando as bactérias pertencentes ao grupo das espécies Bt, B. cereus e B. wiedmanni, além das estirpes de Bt subsp. kurstaki estirpe S76 e a estirpe comercial HD-1. Os resultados obtidos nos bioensaios ainda são preliminares, não sendo possível avaliar estatisticamente. No entanto, foi verificado que os isolados FORCN014 (isolado do líquido do apoplasto) e FORCN066 (isolado a partir de raízes) apresentaram resultados constantes nos bioensaios realizados, podendo assim considera-los, dentre os isolados testados, como os mais promissores no controle de larvas da broca gigante, com 50% e 62,5% de mortalidade quando comparados com o controle negativo (dieta + meio HCT) que ocasionou 12,5% de mortalidade das larvas no bioensaio 1.