APRIMORAMENTO DE VEÍCULO DE INOCULAÇÃO POLIMÉRICO PARA FORMULAÇÕES DE BACTÉRIAS DIAZOTRÓFICAS EFICIENTES PARA CANA-DE-AÇÚCAR
Polímeros, sustentabilidade, rizobactérias promotoras do crescimento vegetal, fixação biológica de nitrogênio, viabilidade celular
O estudo objetivou o aprimoramento de um veículo polimérico à base de carboximetilcelulose (CMC) e amido na formulação de inoculante bacteriano para cana-de-açúcar que demonstre características desejáveis para a manutenção da viabilidade e estabilidade celular. Foram testados quatro tipos de amido e dois de CMC com concentrações do agente compatibilizante, MgO, na faixa de 0,1 a 1% em termos de base seca. Foram também avaliadas três proporções de CMC/amido (80:20, 60:40 e 40:60) e três condições de esterilização (100 oC por 20 min e 121 oC por 30 e 60 min a 1 atm). A manutenção da viabilidade de células das estirpes BR3262 de Bradyrhizobium pachyrhizi, BR11281 de Gluconacetobacter diazotrophicus, BR11335 de Herbaspirillum seropedicae, BR11504 de H. rubrisubalbicans, BR11145 de Nitrospirillum amazonense e BR11366 de Parabulkholderia tropica foi determinada durante um período de até 168 dias à temperatura ambiente. A estirpe BR3262 registrada para feijão-caupi junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento apresentou maior sobrevivência de células após 38 dias de armazenamento na mistura polimérica compatibilizada com 0,2 a 0,5% de MgO. O aumento do teor de MgO correlacionou com o aumento do pH no veículo, observando-se valores na faixa de 9,5 com um dos amidos testados. O pH dos veículos formados por dois dos quatro amidos, C e D, permaneceu entre 7,5 e 8,0 após 180 dias do preparo da mistura polimérica com 0,3% de MgO. Foram selecionadas cinco formulações que mantiveram cerca de 8 x 107 UFC g-1 até 84 dias após a inoculação com a estirpe BR3262, o que corresponde aproximadamente a 40% do total de células inoculadas. Após 168 dias, essas formulações apresentaram média de 1,7 x 107 UFC g-1. As condições de esterilização não influenciaram no número de células viáveis ao longo do período de armazenamento. Quatro estirpes diazotróficas eficientes para a inoculação da cana-de-açúcar (BR11335, BR11504, BR11145 e BR11366) foram formuladas em veículos produzidos com o amido C. A viabilidade celular perdurou durante 30 dias de armazenamento independente do teor de agente compatibilizante. No entanto, a sobrevivência da estirpe BR11281 de G. diazotrophicus só foi possível após a substituição do açúcar Cristal que compõe o meio DYGS adaptado por um açúcar mascavo durante a produção do inóculo. A manutenção de células de BR11281 foi dependente da proporção CMC/amido, contabilizando-se cerca de 1,3 x 108 UFC g-1 nas misturas contendo 40:60 e 80:20 após 90 dias de armazenamento. Para as demais estirpes, os resultados foram independentes da proporção CMC/amido. Após 150 dias de armazenamento foram alcançadas médias entre 0,9 e 5,1 x 108 UFC g-1. A mistura polimérica CMC/amido representa uma alternativa à turfa, porém é importante garantir a sua produção de acordo com procedimentos padronizados considerando principalmente o tipo de amido e o teor de MgO como agente compatibilizante.