Agregados do solo como indicadores de qualidade em áreas de agricultura orgânica em solos arenosos da baixada fluminense, RJ
Manejo do solo, Sistemas conservacionistas, Indicadores edáficos, Diversidade bacteriana
Na Baixada Fluminense são predominantes os solos de textura mais arenosa e com baixos teores de carbono orgânico na camada superficial. Estas áreas são comumente cultivadas com métodos convencionais, que promovem a intensificação da degradação do solo, acarretando sua diminuição da capacidade produtiva. A utilização de práticas de conservacionistas são necessárias para minimizar estes impactos, com intuito de melhorar a produtividade e a qualidade do solo. Uma das práticas que podem ser utilizadas é o sistema de cultivo orgânico associado ao sistema plantio direto (SPD), e alguns indicadores são utilizados para verificar a qualidade do solo, a agregação é destes importantes indicadores. O presente estudo foi dividido em dois capítulos, no capítulo I (2021) - o objetivo foi avaliar a influência de diferentes sistemas de manejo e cobertura vegetal sobre as vias de formação de agregados (biogênicos e fisiogênicos), além de avaliar a influência destes atributos sobre os níveis de fertilidade e os teores de carbono orgânico, e suas frações. Enquanto no segundo (2022), sendo avaliado adicionalmente a diversidade bacteriana. O estudo foi conduzido na unidade produção orgânica Sítio do Sol, na região da Baixada Fluminense – RJ. O delineamento experimental em ambos os capítulos foram 3x2x2, com três repetições, em que foi avaliado dois sistemas de manejo, sistema de plantio direto (SPD) e sistema convencional (SC). As coberturas vegetais no capítulo I foram diferentes em cada capítulo, no primeiro foram avaliadas três coberturas vegetais, a saber; C1: coquetel 1 – (crotalária - Crotalaria juncea (20 kg ha-1, feijão-de-Porco - Canavalia ensiformis - 150 kg ha-1 e milheto - Pennisetum glaucum - 60 kg ha-1), C2: coquetel 2 (com 50% da quantidade de sementes usadas em C1), e P.E: plantas espontâneas. Enquanto no capítulo II, forma C2: coquetel 2 (com 50% da quantidade de sementes usadas em C1), M: Milheto (Pennisetum glaucum - 60 kg ha-1) e CJ: Crotalária (Crotalaria juncea - 40 kg ha-1). Foram coletadas amostras indeformadas de 0-5 e 5-10 cm de forma aleatória no capítulo I, enquanto no capítulo II foram amostras indeformandas de 0-10cm na linha de cultivo, e, a partir dessas amostras, os agregados com diâmetro entre 9,7 e 8,0 mm foram classificados de acordo com a via de formação (biogênica ou fisiogênica). A partir destes, foram quantificados os atributos químicos (pH, Ca2+, Mg2+, Al3+, P, Na+, K+) e também as frações de carbono (carbono orgânico total - COT, carbono orgânico associado a minerais - COam), carbono orgânico particulado - COp e carbono da fração leve livre - CFLL), em ambos os capítulos. No capítulo II foi realizado também, a partir de amostras a caracterização bacteriana, quanto a riqueza e a diversidade. Conclui-se no capítulo I que de 0-5 cm há maior proporção de agregados biogênicos, sem influência dos diferentes sistemas de manejo e cobertura. O SC está associado a maiores níveis de fertilidade do solo. No capítulo II, a proporção de agregados biogênicos foi maior que a fisiogênicos a 0-10 cm de profundidade, sem influência significativa dos diferentes sistemas e coberturas. Os níveis de fertilidade são maiores no SC, não houve diferença estatística entre as vias de formação e diferentes coberturas vegetais. A cobertura M está associado a maiores valores de COp e menores de COam. O sistema de manejo influenciou na riqueza e na diversidade bacteriana, sendo a maior abundância conectada ao SPD.