Indicadores de qualidade do solo em áreas de agricultura de montanha no bioma Mata Atlântica, sudeste do Brasil.
Manejo do solo. Sistemas conservacionistas. Indicadores edáficos. Sustentabilidade ambiental.
As áreas de montanha apesar de serem relegadas a um segundo plano no tocante a agricultura, são de grande relevância já que são significativas na produção de alimentos e na realização de serviços ecossistêmicos. Dessa forma compreender as alterações que ocorrem nesses ambientes durante o manejo podem prevenir impactos decorrentes do uso inadequado. O presente estudo foi dividido em três capítulos com diferentes objetivos. No capítulo I i) realizou-se a caraterização morfológica, química e física dos atributos do solo de perfis coletados em áreas com diferentes cultivos agrícolas e coberturas vegetais; ii) verificou-se as principais classes de solos dessas áreas; e iii) avaliou-se a capacidade de uso agrícola, bem como as classes de aptidão e principais limitações. No capítulo II foi i) quantificado o armazenamento de carbono (C) e nitrogênio (N) nessas áreas, e ii) avaliado a origem desses elementos. O capítulo III teve como intuito i) verificar a possível influência do monocultivo de diferentes espécies vegetais em ambiente de montanha no acúmulo e composição da serrapilheira; ii) avaliar possíveis modificações impostas por essas coberturas e formas de cultivo nos atributos químicos associados a fertilidade do solo; e iii) analisar a compartimentalização da matéria orgânica do solo (MOS), identificando quais os tipos de cobertura estão contribuindo para aumento dos teores de carbono orgânico e suas respectivas frações orgânicas. Foram avaliadas três áreas cultivadas com banana (BN), café (CF) e cacau (CC) e uma área de referência (FS, fragmento florestal da Mata Atlântica) em três pontos distintos com relevo declivoso, típico da região sudeste do Brasil. No capítulo I verificou-se grande parte dos perfis identificados no primeiro nível categórico (ordem) como Cambissolos, em função da presença de um horizonte diagnóstico subsuperficial B incipiente, e no segundo nível categórico (subordem) como Háplicos. Quanto à aptidão agrícola, as maiores limitações de utilização foram a baixa fertilidade natural, a suscetibilidade a erosão e os impedimentos à mecanização ou cultivo, decorrentes da declividade, pedregosidade e rochosidade. No capítulo II constatou-se que a magnitude dos efeitos causados pelos cultivos agrícolas e coberturas vegetais nos atributos do solo aumentou no sentido FS – BN e CC – CF. Os cultivos de BN e CC incrementaram os teores e estoques de C (em superfície) e N (em profundidade) no solo quando comparados às áreas com cobertura de FS, enquanto o cultivo de CF promoveu reduções dos valores desses atributos. Através das análises isotópicas de δ13C e δ15N ficaram evidentes diferenças entre os cultivos agrícolas, com destaque para a área de cultivo de CC que separou-se dos cultivos de BN e CF. No capítulo III verificou-se que os maiores estoques de serrapilheira foram quantificados nas áreas de BN e FS (~ 34.0 e 22.0 Mg ha-1). Entre as frações da MOS, a matéria orgânica leve em água foi a mais sensível ao efeito dos cultivos agrícolas e coberturas vegetais, principalmente quanto aos valores das razões estequiométricas. Verificou-se similaridade para os teores de C total, N total, C orgânico total e fósforo (P) total entre as áreas de FS, BN e CC. Observou-se padrões diferenciados para as razões estequiométricas entre os compartimentos. As respostas dos teores de C, N, P e a sua estequiometria aos diferentes cultivos agrícolas e coberturas vegetais têm aplicações significativas no desenvolvimento de estratégias de manejo sustentável.