Estoques e Mecanismos de Estabilização de C e N nos Solos de Urucu, Região Central da Amazônia
Fracionamento físico da MOS; relação C/N; decomposição da matéria orgânica
A estabilização do carbono nos solos é governada pelos seguintes mecanismos: recalcitrância do material orgânico, proteção física que ocorre durante a formação de agregados e a proteção química que está relacionada a formação dos complexos organo-minerais. O objetivo geral do trabalho foi avaliar o estoque de C e N em solos da região de Urucu, Amazônia Central. Também é objetivo do trabalho contribuir com um entendimento da relação do fator relevo (representado pela drenagem dos solos) e vegetação nas reservas de C e N nos solos dessa região, assim como, elucidar os principais mecanismos responsáveis pela estabilização do carbono nesses solos. Foram calculados os estoques de C e N e avaliados os atributos químicos e físicos de trinta e cinco perfis de solos da região de Urucu, Amazônia Central. Foi realizado o fracionamento físico da matéria orgânica em dez perfis de solo representativos da região, sob diferentes condições de drenagem e vegetação. Os estoques de carbono variaram de 33,0 a 230,3 Mg ha-1 e os estoques de N variaram entre 13,0 e 44,2 Mg ha-1. Os fatores responsáveis pelo acúmulo de matéria orgânica nos solos foram o relevo (influenciando na drenagem) e a vegetação. O aporte de MOS, medido pela entrada de fração leve, foi distinto nas três posições do relevo (em terra firme, terraços e planícies fluviais). Em locais de boa drenagem (terra firme) as médias gerais de FLL e FLI foram de 141,9 g kg-1 de solo e 22,0 g kg-1 de solo, respectivamente. Em locais de má drenagem (planícies fluviais) a média de FLL e FLI observadas foram de 136,4 g kg-1 de solo 34,8 g kg-1 de solo, respectivamente. E em terraços (drenagem imperfeita) foram observadas as maiores médias de 827,4 g kg-1 de solo de FLL e 55,8 g kg-1 de solo de FLI. Esses aportes estão diretamente relacionados com os fatores que influenciam na permanência do material orgânico no solo como o relevo e o tipo de vegetação. Os teores de argila e as frações leves da matéria orgânica tiveram uma alta relação com os estoques de C e N. Ao contrário, os teores de areia e silte e a relação C/N apresentaram uma relação inversa com os estoques de C e N. Pela análise do dendrograma foram agrupadas as classes de solos de acordo com a drenagem (bem, imperfeitamente e mal drenado). Os maiores conteúdos de estoques de C e N foram observados em solos imperfeitamente drenados, seguidos pelos solos bem drenados e por último em solos mal drenados.