Potencialidades das susbtâncias, extratos de algas e suas combinações como bioestimulantes em plantas: características estruturais e modo de ação.
Ácido húmico, ácido fúlvico, Kappaphicus alvarezii, caracterização físico-química, bioatividade.
A crescente demanda global por alimentos tem levado a um uso mais intensivo do solo. Nesse contexto, surgiram novos e avançados bioinsumos, como os bioestimulantes e biofertilizantes, com o objetivo de promover uma integração harmoniosa entre a produção de alimentos e um manejo sustentável do solo. O interesse na utilização de bioestimulantes à base de substâncias húmicas (SH) em áreas cultivadas já é uma realidade entre os agricultores. Por outro lado, a economia do mar vem sendo inserida cada vez mais na cadeia produtiva agrária com o objetivo de gerar produtos agrícolas mais limpos e eficientes. Diante desta realidade, esta tese teve como objetivo avaliar os efeitos bioestimulantes em plantas de pepino (Cucumis sativus) da variedade Ashley e de arroz (Oryza sativa L.) da variedade nippombare, de frações húmicas extraídas de vermicomposto e leonardita, de extratos de algas extraídas de kappaphycus alvarezii, assim como as suas combinações, aplicados via foliar e/ou radicular, previamente caracterizados. No capítulo I foram apresentados a caracterização físico-química de ácido húmico de vermicomposto (AHVC), ácido fúlvico de vermicomposto (AFVC) e ácido húmico de leonardita (AHCHECO) e discutida a bioatividade e modo de ação dessas SH em plantas. No capítulo 2, foram apresentados a caracterização físico-química das subfrações da alga Kappaphycus alvarezii (extrato aquoso e biomassa sólida) in natura (sem adição de conservantes) e avaliados efeito dos modos de aplicação (foliar e radicular) no crescimento e desenvolvimento, além dos diferentes modos de ação resultantes. No capítulo 3, foram avaliados e comparados os estímulos desencadeados pela aplicação foliar isolada e conjunta de AFVC e extrato de Kappaphicus alvarezii em plantas, sobre a regulação gênica, metabolismo, absorção e assimilação de nutrientes, desempenho fotossintético, desenvolvimento radicular e crescimento, visando a obtenção de um bioestimulante foliar misto com potencial agrícola. As características físico-químicas das substâncias húmicas e dos extratos de Kappaphicus alvarezii resultaram em diferentes propriedades e bioativade exercida em plantas, havendo diferenças sobre a expressão de genes, regulação hormonal, fotossíntese, absorção de nutrientes, quantidades de metabólitos solúveis, arquitetura radicular e acúmulo de biomassa. De maneira geral, a aplicação de todos os compostos naturais resultou em plantas com maior desenvolvimento, porém de formar diferenciada dependendo de suas características estruturais. A aplicação radicular e foliar de AFVC e de K-sap resultou em estímulos diferenciados sobre o crescimento radicular e produção de biomassa, sendo as doses de melhor resposta diferentes para cada composto e forma de aplicação. Tanto para AFVC quanto para K-sap, foram necessárias aplicações em concentrações menores nas raízes do que nas folhas para o estímulo de maior resposta. Os custos associados à produção e comercialização destes bioestimulantes foliares são considerados baixos, uma vez que são extraídos de compostos naturais e pulverizados em pequenas doses, além do potencial para serem utilizadas na conservação e no manejo de ecossistemas naturais e agrícolas, pois são biodegradáveis e não-tóxicos. O bioestimulante foliar misto com AFVC à 80 mg L-1 + K-sap à 2% mostrou potencialidades para ser utilizado comercialmente em cultivo de plantas de arroz, aumentando sua produção.