DIVERSIDADE MICROBIANA EM SOLOS SOB CULTIVO DE TOMATEIRO (Solanum lycopersicum) COM MURCHA E BIOPROSPECÇÃO DE MICRORGANISMOS PROMOTORES DE CRESCIMENTO VEGETAL
Fusarium oxysporum f. sp. lycopersici; Murcha bacteriana; Ralstonia solanacearum.
A murcha do tomateiro, que pode ter como agentes causais a bactéria Ralstonia solanacearum ou o fungo Fusarium oxysporum f. sp. lycopersici, representa um dos principais desafios para o manejo da cultura, devido à persistência desses patógenos no solo e o limitado uso eficiência dos métodos químicos disponíveis. No primeiro capítulo, investigou-se a composição da comunidade bacteriana da rizosfera de plantas de tomate com e sem sintomas de murcha bacteriana em duas unidades de produção protegida em Vassouras-RJ. A análise da diversidade alfa e beta, abundância diferencial e redes de coocorrência indicou diferenças entre a rizosfera de plantas sintomáticas e assintomáticas. Famílias como Bacillaceae, Fictibacillaceae, Nocardiaceae, Chitinophagaceae e Streptomycetaceae predominaram na rizosfera de plantas sem sintomas, possivelmente associadas à supressão natural do patógeno, enquanto Pseudomonadaceae, Microbacteriaceae e Rhizobiaceae foram mais abundantes na rizosfera de plantas com murcha. As redes microbianas indicaram maior conectividade e predominância de interações negativas na presença de doença, com centralidade de Beijerinckiaceae nas plantas sintomáticas e de Mycobacteriales e Burkholderiaceae nas assintomáticas. O segundo capítulo concentrou-se na caracterização de 22 isolados de Pseudomonas previamente identificados por MALDI-TOF e confirmados por sequenciamento do gene rrs, além da avaliação de seu potencial de biocontrole contra F. oxysporum f. sp. lycopersici e atributos de promoção de crescimento vegetal. Foi observada a predominância de P. aeruginosa, P. putida e P. plecoglossicida. Em testes de antagonismo direto, isolados de P. aeruginosa mostraram maior capacidade de inibir o patógeno, enquanto isolados do grupo putida destacaram-se na solubilização de fosfato e produção de ácido indolacético, indicando potencial promotor de crescimento vegetal. Em conjunto, os resultados demonstram que houve alteração na composição microbiana na rizosfera de plantas com murcha bacteriana e que cepas de Pseudomonas destacam-se como promissoras para a formulação de bioinsumos voltados ao manejo de doenças do tomateiro e à promoção de crescimento vegetal. Essas informações reforçam a importância do desenvolvimento de estratégias baseadas na manipulação da microbiota do solo e da utilização de consórcios microbianos, favorecendo o avanço de práticas agrícolas mais eficientes e ambientalmente sustentáveis.