O MANEJO DO SOLO INFLUENCIA A DIVERSIDADE MICROBIANA E A RESISTÊNCIA CULTIVÁVEL A ANTIMICROBIANOS EM AGROSSISTEMAS DE MATA ATLÂNTICA
resistência a antimicrobianos (RAM), uso agrícola do solo, bioma Mata Atlântica, abordagem One Health, comunidades microbianas do solo.
A resistência a antimicrobianos (RAM) é um dos principais desafios globais para a saúde pública, exigindo uma abordagem integrada fundamentada no conceito de One Health, que reconhece a interdependência entre a saúde humana, animal e ambiental. Nesse contexto, embora o solo abrigue uma comunidade microbiana altamente diversa e um resistoma natural potencialmente transferível tanto para bactérias comensais quanto para patogênicas, ele permanece frequentemente negligenciado nos esforços de vigilância da RAM. Este estudo teve como objetivo avaliar a estrutura das comunidades bacterianas e a presença de bactérias resistentes a antimicrobianos em solos com diferentes históricos de uso, incluindo áreas agrícolas e um fragmento de Floresta Atlântica secundária em São José do Vale do Rio Preto, RJ, Brasil. O DNA total do solo foi extraído e submetido ao sequenciamento do gene 16S rRNA, enquanto o isolamento bacteriano foi realizado em meios seletivos contendo diferentes antimicrobianos. O manejo agrícola alterou a estrutura das comunidades bacterianas e influenciou o perfil dos gêneros isolados em meios com antimicrobianos. Sete dos dez antimicrobianos testados selecionaram predominantemente gêneros bacterianos que possuem fenótipo esperado de sensibilidade — em especial frente à ciprofloxacina, gentamicina e sulfametoxazol-trimetoprima. Esses achados ressaltam o papel dos ambientes agrícolas como importantes reservatórios de genes de resistência com potencial de disseminação para patógenos humanos e destacam a necessidade urgente de incluir solos manejados na vigilância e nas estratégias de mitigação da RAM