BIOCHAR E SUBSTÂNCIAS HÚMICAS COMO ALTERNATIVA SUSTENTÁVEL NA PRODUÇÃO DE FERTILIZANTES PARA A AGRICULTURA
Biocarvão; ácidos húmicos; nutrição; fertilidade
Tecnologias são desenvolvidas para amenizar essa necessidade de importação e otimizar o uso dos fertilizantes. Uma delas é a produção de fertilizante organomineral de liberação lenta, que consiste na mistura física ou combinação de fontes minerais e orgânicas em diversas proporções, de acordo com a necessidade da cultura. A prática de reaproveitar resíduos orgânicos é econômica e ambientalmente viável e permite a recuperação de nutrientes como nitrogênio, fósforo e potássio, além de contribuir para a adição de matéria orgânica no solo, o que possibilita melhora na estrutura física, capacidade de retenção de água e fornecimento de nutrientes às plantas. Dentre os resíduos orgânicos utilizados encontra-se o biochar, que é produto da decomposição térmica de matéria prima, principalmente vegetal, e que possui estrutura rica em carbono. Por se tratar de carbono recalcitrante, sua adição ao solo também pode acarretar diversos benefícios como aumento da porosidade, capacidade de retenção de água, habitat para microrganismos, liberação lenta de nutrientes, entre outros. Adicionalmente, as substâncias húmicas consistem na matéria orgânica humificada, que possui uma estrutura mais lábil que o biochar, portanto com menor tempo de permanência no solo. As substâncias húmicas são compostas por diferentes frações, sendo elas distinguidas de acordo com a sua solubilidade. Diante disso, o presente trabalho apresenta as seguintes hipóteses: a) A produção de biochars utilizando diferentes biomassas e diferentes temperaturas de pirólise irá fornecer uma estrutura química variada a esses materiais; b) Fertilizantes organominerais de liberação lenta produzidos a partir de fonte de K, biochar e ácido húmico são eficientes na disponibilização do nutriente em tempo adequado para a absorção vegetal; c) O revestimento de fertilizante fosfatado com ácido húmico e biochar otimiza a liberação do nutriente à planta. Para testar essas hipóteses, o trabalho foi divido em três capítulos: I – Produção de biochar como alternativa para a reciclagem de resíduos vegetais e lodo de esgoto: Monitoramento estrutural do processo de pirólise. Teve como objetivo produzir biochars a partir de maravalha de eucalipto, cavaco de eucalipto e lodo de esgoto, nas temperaturas de 300, 400 e 500 ºC e verificar as suas características estruturais, morfológicas e químicas; II – Ação sinérgica de biochar e ácido húmico em fertilizantes potássicos granulados e pastilhados. Teve como objetivo testar o desenvolvimento de plantas de arroz com a aplicação de fertilizantes organominerais de liberação lenta produzidos a partir de uma fonte de K, biochar e ácido húmico misturados e aglomerados através de pastilhamento e granulador; III – Produção, caracterização e aplicação de fertilizantes fosfatados em multicamadas de ácido húmico e biochar. O objetivo foi verificar a influência de camadas de biochar e de ácido húmico em fertilizante fosfatado na liberação de P para a absorção de plantas de arroz.