Combinação de bactérias solubilizadoras de fosfato e biochars para aumentar a disponibilidade de fósforo no solo para plantas de milho
Biocarvão, Klebsiella sp., fósforo orgânico.
Na agricultura moderna, a busca por tecnologias sustentáveis tem inserido a utilização de bactérias do solo capazes de solubilizar fosfato e aumentar a eficiência de uso de fósforo (P) pelos cultivos. Outra tecnologia é o uso do biochar, que provém da pirólise de material orgânico sólido, e pode agir como biofertilizante e como veículo de inoculação de microrganismos. Esse estudo teve como objetivos: (i) apresentar uma revisão sobre a viabilidade do biochar como veículo de inoculação para bactérias solubilizadoras de fosfato; (ii) avaliar bactérias do gênero Klebsiella sp. associadas a diferentes fontes de biochar, aplicadas em sementes de milho em condições controladas e de campo, e verificar as alterações fitotécnicas da planta, bioquímicas e químicas do solo. Foram realizados dois experimentos. No experimento 1, com vasos de 16 kg de solo em casa de vegetação, foram aplicadas diferentes combinações de inoculos e fontes de biochars em sementes de milho da variedade Batité. Foi adotado um delineamento fatorial 3x4 com 4 repetições, combinando 3 fontes de biochar: sem biochar, biochar de palha de arroz e biochar de uva branca, e 4 cepas bacterianas: UAGC17 (Bac.1), UAGC19 (Bac.2), a mistura das duas bactérias (Bac.1 + Bac.2), e controle sem inoculação. Foram avaliadas características fitotécnicas da planta com 45 dias, e efetuadas análises químicas e de atividades enzimáticas no solo e nas frações de P. O biochar de palha de arroz, associado ou não à bactéria UACG17, aumentou as variáveis P orgânico lábil, P orgânico solúvel em meio básico, P orgânico solúvel em meio ácido, respiração basal do solo e as enzimas fosfatases ácida e alcalina e a β-glucosidase. O biochar de uva branca proporcionou aumento do K disponível no solo. Os biochars de palha de arroz e uva branca se mostraram promissores como veículos de inoculação. No experimento 2, em condições de campo em Jupi, Pernambuco, foram avaliados os mesmos tratamentos citados anteriormente, com 8 repetições. Em geral, para as variáveis fitotécnicas, os tratamentos que receberam inoculação foram superiores aos que não foram inoculados, se destacando o tratamento Bac.1+Bac.2 associado a Bio.2, que proporcionou maiores diâmetro do colmo e altura da primeira espiga. O tratamento Bac.1 associado a Bio.1, aumentou todas as frações de P do solo avaliadas, além de aumentar a atividade das enzimas fosfatases e a respiração basal do solo. Não foram observados ganhos com relação às variáveis de produção do milho verde (número de espigas comerciais, número total de espigas e peso de espiga).