Desenvolvimento inicial e biocontrole da fusariose da pimenteira-do-reino (Piper nigrum L.) por Trichoderma spp., sob diferentes substratos e níveis de umidade do solo
Piper nigrum L., Fusariose, fluorescência da clorofila a, manejo da irrigação.
Com o presente estudo objetivou-se avaliar as características químicas e físicas de substratos isentos de solo, assim como o potencial destes para a produção de mudas de pimenta do reino (Piper nigrum L.), cv. Bragantina, submetidas a diferentes regimes de irrigação. Além disso, objetivou-se avaliar o uso de produtos comerciais à base de Trichoderma spp., enquanto promotores de crescimento e biocontroladores de Fusarium solani f.sp. piperis, sob tais condições de suprimento hídrico. Para isso, foram determinadas e comparadas as características físicas e químicas biodisponíveis e pseudototais de sete substratos formulados com fibra de coco triturada (F), biossólido (B), vermicomposto (V) e pó de rocha granítica (P), além de um substrato comercial (SC). Foram realizados ainda dois experimentos, sendo que no primeiro foi avaliado o desenvolvimento vegetativo de mudas de pimenta do reino, cultivadas em três substratos isentos de solo [S1 = B + F (3:1); S2 = B + P (3:1); e S3 = B + F + P (2:1:1)], sob cinco regimes de irrigação (36 %, 54 %, 85 %, 100 % e 126 % da lâmina de irrigação de referência). No terceiro experimento foram avaliadas características de desenvolvimento vegetativo e fluorescência da clorofila a de plantas de pimenta do reino, cv. Bragantina, submetidas a: Quatro regimes de irrigação (41 %, 59 %, 79 % e 100 % da lâmina de irrigação de referência); Aplicação de produtos comerciais à base de Trichoderma harzianum, Trichoderma asperellum e Trichoderma stromaticum; Inoculação com Fusarium solani f.sp. piperis. O substrato formulado com biossólido (B) e pó de rocha granítica (P), na proporção volumétrica de 3:1, respectivamente, apresentou maior valor de densidade volumétrica, enquanto menores valores foram observados para SC. Este último apresentou maior capacidade de retenção de água, enquanto o primeiro foi menos capaz de reter água. Substratos com V em sua composição tiveram incremento significativo de Mn biodisponível, enquanto a adição de P elevou os teores de Fe nos substratos. Conforme resultados do segundo experimento, independentemente do tipo de substrato utilizado, quanto maiores os regimes de irrigação, maiores foram os comprimentos de haste principal (H) e acúmulo de matéria seca em parte aérea (MSPA) de plantas de pimenta do reino, cv. Bragantina, sendo esta relação inversa para eficiência no uso da água (EUA). Regimes de irrigação iguais ou superiores a 85% da lâmina de referência, associados ao substrato S3, produziram plantas com padrões similares ao exigido para o plantio em campo, e superiores aos demais substratos estudados. No que se refere ao terceiro experimento, não houve efeito significativo da inoculação por Fusarium solani f.sp. piperis sobre as características de desenvolvimento vegetativo avaliadas, logo, não foi possível identificar efeito antagonista de Trichoderma spp. sobre o fitopatógeno. A aplicação de Trichoderma stromaticum, na concentração de 4,56 x 105 UFC.g-1 de substrato, incrementou o acúmulo de matéria seca em raízes. Os acúmulos de matéria seca nas plantas foram influenciados significativa e positivamente pelos regimes de irrigação. Maiores agrupamentos entre unidades do FSII e estabilidade do complexo de evolução do oxigênio ocorreram em plantas submetidas aos menores regimes de irrigação e não inoculadas com Fusarium solani f.sp. piperis, pelo teste OJIP. A eficiência fotossintética e o índice de performance PIABS de plantas de pimenta do reino, cv. Bragantina, decresceram linearmente com o aumento dos regimes de irrigação. Sob regime de irrigação de 41 % da lâmina de irrigação de referência, a inoculação com Fusarium solani f.sp. piperis reduziu a eficiência fotossintética de plantas de pimenta do reino aos 180 DAT.