Balanço de Nitrogênio e Emissões de N2O de Pastagem Exclusiva de Braquiária Marandu ou Consorciada com Desmódio
Pastagem consorciada; Fator de emissão de N2O; Fixação Biológica de Nitrogênio; Pecuária.
Modelos sustentáveis de manejo de pastagens buscam constantemente formas de produção animal com menor impacto ambiental. A introdução de leguminosas forrageiras em sistemas de pastagens pode representar uma alternativa ao uso de fertilizantes nitrogenados. Buscando entender o balanço de nitrogênio e as emissões de N2O de pastagem exclusiva de Brachiaria brizantha cv Marandu ou consorciada com leguminosa Desmodium heterocarpon, quatro hipóteses foram levantadas: a primeira é que o consórcio da leguminosa Desmodium heterocarpon (desmódio) com Brachiaria brizantha cv Marandu se mantém persistente ao longo dos anos e permite produtividade similar, ou superior, em relação a pastagem de Marandu em monocultura fertilizada com 150 kg N ha-1 ano-1; a segunda hipótese é que a fração do N excretado pelos bovinos que é convertida em N2O não se modifica em pastagens fertilizadas com ureia e pastagens consorciadas com desmódio, assim como as emissões de CH4 das fezes; a terceira é que as emissões basais de N2O são maiores em pastagens com leguminosas em comparação as pastagens de Marandu, mas que a adição de fertilizante nitrogenado modifica essa condição, tornando maiores as emissões de N2O do sistema fertilizado; e a quarta hipótese é que a entrada de N via FBN ou por fertilização nitrogenada supre a demanda de N das pastagens, e tem potencial para compensar as perdas de N. O estudo foi desenvolvido na Estação Experimental de Zootecnia do Extremo Sul da Bahia (ESSUL) unidade de pesquisa da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (CEPLAC) em Itabela – BA. O delineamento experimental utilizado foi blocos casualizados com 3 tratamentos, B. brizantha fertilizada com 150 kg N ha-1 ano-1 , B. brizantha consorciada com Desmodium heterocarpon e pastagem de B. brizantha sem adição de N. Cada parcela foi composta por 5 piquetes, e o sistema de pastejo utilizado foi rotacionado com 7 dias de ocupação e 28 dias de descanso. Os resultados obtidos permitiram concluir que a pastagem consorciada de Desmodium heterocarpon com Capim-Marandu promoveu produção de forragem e de bovinos de corte semelhantes a pastagem de Capim-Marandu + 150 kg N ha-1 ano-1 e que o manejo adotado permitiu a persistência da leguminosa no sistema, com potencial para uso em pastagens tropicais. O sistema consorciado com leguminosa resultou em uma mudança na via de excreção de N, ocorrendo maior excreção nas fezes. O FE de N2O e a fração perdida de NH3 pela urina é semelhante na pastagem consorciada e fertilizada, e o FE de N2O para as fezes é menor na pastagem consorciada. A entrada de N via fertilização nitrogenada ou pela leguminosa utilizada no consórcio aumentam as emissões basais de N2O, sendo maior pela adição de fertilizante nitrogenado em relação a introdução da leguminosa. A fertilização com ureia resulta em perdas de N por volatilização de amônia e por emissão de N2O em magnitudes inferiores ao que se pode estimar com os respectivos fatores de perda default existentes na guia do IPCC. Tanto a fertilização nitrogenada de 150 kg N ha-1 na forma de ureia quanto a entrada de N via FBN por meio do consórcio com D. heterocarpon permitem compensar a saídas de N nos sistemas de produção de bovinos à pasto. Por outro lado, a adição de fertilizantes nitrogenados proporciona
maiores emissões de gases de efeito estufa em comparação a estratégia de consórcio com leguminosa.