COMPOSIÇÃO QUÍMICA DO ÓLEO ESSENCIAL DE Schinus molle L.E SUA PROPRIEDADE ANTITROMBÓTICA
SCHINUS MOLLE L., TROMBOSE, MIRTENOL.
Doenças Cardiovasculares, em especial a trombose, estão associadas à doença cardíaca isquêmica e o acidente vascular cerebral (AVC), que segundo o Estudo global da Carga de doenças de 2010 causaram coletivamente uma em cada quatro mortes em todo o mundo. Os óleos essenciais (OE) possuem grande importância em desenvolvimento de pesquisas, por exemplo, já foram notificados efeitos sinérgicos com anticoagulantes orais, que indica uma possível propriedade antitrombótica. O objetivo desse trabalho foi avaliar a composição química do óleo essencial de Schinus molleL. e analisar sua atividade sobre a hemostase, assim como do monoterpeno mirtenol. Para a extração do óleo essencial das folhas de Schinus molle L. foi utilizada a técnica de hidrodestilação através do aparelho tipo Clevenger, e o material obtido foi caracterizado por CG-DIC-EM. Ação anticoagulante foi realizada por testes de TTPa e TP, e os ensaios de agregação plaquetária foram realizados em um agregômetro seguindo o método turbidimétrico de Born & Cross (1963), utilizando ADP e colágeno como indutores da agregação. Na caracterização química do OE foram identificadas 45 substâncias, sendo os componentes majoritários os sesquiterpenos (88,77%) dos quais α-Muurolol e δ-cadineno representam 22,85% e 9,66%, respectivamente, resultado confirmado pela comparação dos espectros obtidos com registros da literatura.A menor concentração do OE testada na agregação plaquetária (5mg.ml-1), utilizando ADP como indutor, apresentou maior poder inibitório (80%) e a maior concentração (40mg.ml-1) inibiu 48% da ativação plaquetária. Ao utilizar o colágeno como indutor, o OE não apresentou atividade significativa, assim como mostrou atividade nos ensaios de coagulação, sugerindo que a ação antitrombótica do OE se destina especialmente via agregação plaquetária, possivelmente pela inibição de receptores da família P2, os quais são ativados pelo ADP. O Mirtenol apresentou atividade antiplaquetária ao utilizar os dois indutores, e atingiu inibição de 98,5% da agregação plaquetária, sendo este resultado muito satisfatório,e sua inibição da agregação foi mais potente na indução do colágeno. Em contrapartida, o mirtenol não interferiu nos testes de coagulação sanguínea, o que direciona sua atividade antitrombótica para a ação antiplaquetária. O OE de S. molle L. apresenta majoritariamente sesquiterpenos, além de possuir atividade antitrombótica exclusivamente via inibição da agregação plaquetária, possivelmente induzida pelo ADP, pois o OE não interfere nas vias de coagulação sanguínea e não atua sobre a indução pelo colágeno. O monoterpeno mirtenol possui atividade antitrombótica exclusivamente por via antiplaquetária, sendo sua atividade pronunciada pela indução do colágeno. Estes resultados são muito úteis para seguimento dos estudos com outros indutores da agregação plaquetária e futuros estudos in vivo, com intuito de promover bases científicas para desenvolvimento de um medicamento fitoterápico que possa ser utilizado na prevenção ou tratamento de doenças cardiovasculares. Este é o primeiro relato da ação antiplaquetária de Schinus molle L. e do monoterpeno mirtenol