AÇÃO ANTIVIRAL DA PRÓPOLIS VERDE FRENTE AO SARS-COV-2, E DESENVOLVIMENTO DE FILME ORODISPERSÍVEL
Fenomicos, Box-Behnken, covid
A própolis verde possui propriedades farmacológicas comprovadas, como ação antiviral, anti-inflamatória e antioxidante. Diante da pandemia de SARS-CoV-2, seu uso ganha destaque como potencial abordagem terapêutica, especialmente com formas inovadoras como filmes orodispersíveis. O presente estudo teve como objetivo investigar a composição química da própolis verde brasileira, avaliar sua atividade antiviral contra o SARS-CoV-2 in vitro e desenvolver um filme orodispersível a partir desse extrato.
Foram utilizados métodos de extração assistida por ultrassom, maceração e percolação seguidos de identificação por cromatografia líquida de alta eficiência com detector de arranjo de diodos (CLAE-DAD), quantificação de fenólicos totais, flavonóides totais e atividade antioxidante. Também foram analisados a interação dos compostos bioativos presentes nos extratos com a proteína Spike RBD do SARS-CoV-2 e o receptor ACE2 e proteases PLpro e 3CLpro, assim como ensaios de citotoxicidade. Por fim, a formulação de um filme orodispersívo, onde a caracterização foi realizada por meio de análises de uniformidade de peso, capacidade de intumescimento, espectroscopia no infravermelho com transformação de Fourier (FTIR), microscopia eletrônica de varredura (MEV), difração de raio x (DRX) e análise gravimétrica (TGA).
Os resultados mostraram que os extratos de própolis verde apresentaram uma significativa atividade inibitória contra as enzimas virais PLpro (64,96% - 93,16%), 3CLpro (0 – 76,79%) e proteína Spike (26,42% – 96,41%), indicando seu potencial como agente antiviral. Esses resultados foram relacionados com os compostos identificados nos extratos de própolis verde (Ácidos Clorogênico, Cafeico, p-Cumárico, Ferúlico, Rosmarínico, Canferol, Canferide, Artepellina C, Drupamina, Bacarina, Cromeno, Pinobanksina). A otimização dos métodos de extração por ultrassom resultou em altos teores de compostos fenólicos (76,34% - 75,96%) e flavonoides (29,81% - 27,80%), correlacionados com a capacidade antioxidante dos extratos: DPPH (IC50 4,08 – 4,15) e FRAP (1492,14% - 1450,31%). Os filmes orodispersíveis desenvolvidos demonstraram boa uniformidade e capacidade de intumescimento para liberação controlada dos compostos bioativos, sugerindo uma nova forma de administração para tratamentos antivirais. As caracterizações FTIR, MEV e DRX indicaram interação entre o polímero e os componentes do extrato, porém sem formação de novas ligações e com uniformidade na superfície. No TGA foi possível observar pequenas alterações na estabilidade térmica atribuída a presença dos extratos. Este estudo evidencia a relevância da própolis verde como uma fonte promissora de compostos com atividade antiviral contra o SARS-CoV-2, além de apresentar uma nova formulação farmacêutica que pode ser explorada em futuras pesquisas. A combinação de métodos de extração otimizados e o desenvolvimento de filmes orodispersíveis abre novas possibilidades para o uso de produtos naturais na terapia antiviral.