DISFUNÇÃO COGNITIVA CANINA: ESTUDO DE NOVAS ABORDAGENS TERAPÊUTICAS E DIAGNÓSTICAS PARA A PATOLOGIA E CONTRIBUIÇÕES A PESQUISAS DIRECIONADAS AO MAL DE ALZHEIMER
anticolinesterásicos; biomarcadores; disfunção cognitiva.
A Disfunção Cognitiva Canina (DCC) é uma alteração neurodegenerativa que afeta cães idosos e que apresenta bastante semelhança com a Doença de Alzheimer (DA) em humanos. Ambas as patologias são consideradas multifatoriais e apresentam evidência de depósito de -amilóide; dano oxidativo; hiperfosforilação da proteína Tau; desequilíbrio nos níveis de neurotransmissores, como acetilcolina (ACh); entre outros fatores. Uma vez que a ACh desempenha papel fundamental em processos cognitivos e muitos tratamentos da DA são baseados no uso de inibidores de acetilcolinesterase (AChE), este trabalho teve como objetivo avaliar a eficácia de chás, fitoquímicos e de compostos sintéticos na inibição in vitro desta enzima em cérebro de cães. Esta primeira parte do trabalho compõe o capítulo 1 desta tese. O chá de Peumus boldus apresentou destaque neste estudo mostrando-se eficaz na inibição desta enzima e com potencial antioxidante significativo. O fitoquímico quercetina e os compostos sintéticos Cum3 e Cum4 se destacaram como inibidores competitivos da atividade de AChE. Também foi avaliado o efeito destes compostos, bem como do chá de boldo, sobre a atividade sérica de butirilcolinesterase (BChE) em cães. Entretanto, todos os tratamentos foram mais eficazes na inibição da atividade de AChE cerebral do que da atividade de BChE em soro. Visando avaliar também o efeito da DCC sobre enzimas sanguíneas de cães, foram avaliadas amostras de sangue de 48 cães divididos em 5 grupos: controle, grupo de risco, DCC leve, DCC moderada, DCC avançada. Esta parte do trabalho compõe o capítulo 2 da presente tese. As enzimas avaliadas foram as colinesterases (usando como substrato a acetiltiocolina ou a butiriltiocolina) e duas enzimas do sistema antioxidante: catalase e glutationa S-transferase. Embora não tenha ocorrido diferença significativa entre as atividades destas enzimas nos cinco grupos estudados, foi possível observar alteração nas atividades médias das colinesterases (utilizando acetiltiocolina como substrato), catalase e GST. Estas diferenças mostram que, apesar de tais enzimas não se mostrarem apropriadas como biomarcadores da DCC, elas podem futuramente vir a ser usadas como adjuvantes na análise da evolução da doença e na avaliação da resposta ao tratamento utilizado. Os resultados obtidos neste trabalho, embora ainda iniciais, são promissores e podem contribuir para um avanço nos estudos de novas formas de diagnóstico e tratamento da DCC.