Caracterização da Geoprópolis Produzida por Abelhas Melipona no Rio de Janeiro: Perfil Físico-Químico, Capacidade Antioxidante e Análise Quimiométrica
Abelhas nativas, polifenóis, biomarcador, CLAE-DAD
A geoprópolis brasileira é uma variação específica da própolis elaborada pelas abelhas nativas, ou abelhas sem ferrão, que consiste na mistura de diferentes resinas vegetais com terra ou barro encontrado no território da colmeia. Os estudos envolvendo essa matriz natural, iniciados na década de 1990, evidenciam uma grande riqueza de substâncias com grande potencial biológico, mas até o momento é notável que em comparação com outras matrizes da própolis brasileira, existe escassez de dados consistentes que descrevam o perfil químico desse produto natural, com a identificação de biomarcadores e sua correlação com a origem botânica. As espécies que pertencem ao gênero Melipona são muito bem distribuídas em todo o território nacional, sendo a geoprópolis dessas abelhas as mais comuns nos trabalhos científicos, principalmente nas regiões Norte e Nordeste. Na região Sudeste, as espécies de meliponíneos mais encontradas são conhecidas por abelhas Mandaçaia (M. quadrifasciata), Uruçu-amarela (M. rufiventris) e Guaraipo (M. bicolor) e entre elas apenas a geoprópolis produzida por Mandaçaia apresenta dados de composição química na literatura. A escassez desses dados sobre a geoprópolis, em especial produzida nessa região, é ainda mais evidente para abelhas nativas do Rio de Janeiro. Muitos estudos evidenciam que o perfil químico da geoprópolis apresenta marcadores que podem descrever sua origem e característica fitogeográfica, contribuindo para tipificação desse produto natural. Considerando a falta de estudos que descrevam a composição química e as propriedades biológicas da geoprópolis produzida na região Sudeste do Brasil, vislumbra-se com esse projeto contribuir para a compreensão mais ampla sobre essa matriz através da caracterização física e química de amostras produzidas pelo gênero Melipona no Rio de Janeiro.