Estudo fitoquímico sobre três espécies nativas da família
Myrtaceae da Mata Atlântica (RJ).
Palavras-chave: Myrciaria tenella, Eugenia copacabanensis, Myrcia eriopus.
MARTINS, Víctor de Carvalho. Estudo fitoquímico sobre três espécies nativas da família
Myrtaceae da Mata Atlântica (RJ). 2022. 208 p. Tese (Doutorado em Química, Química).
Instituto de Química, Departamento de Química Orgânica, Universidade Federal Rural do Rio
de Janeiro, Seropédica, RJ, 2022.
A Mata Atlântica é um dos hotspots mundiais, principalmente no estado do Rio de Janeiro e
nas restingas pelo avanço da urbanização. Nestas regiões, destaca-se a família Myrtaceae, pela
grande importância econômica, diferentes atividades biológicas e elevada taxa de endemismo.
O objetivo desta tese foi identificar os metabólitos de espécies nativas e desconhecidas da
família Myrtaceae, da Mata Atlântica (RJ). Para tal finalidade, foram empregadas técnicas
cromatográficas instrumentais como CG-DIC, CG-EM, CLAE-DAD e CLAE-DAD-EM. O
primeiro estudo consistiu na caracterização do óleo essencial de folhas de Myrciaria tenella,
coletadas na Restinga da Marambaia (RJ). Foram identificadas 36 substâncias por CG-DIC e
CG-EM, sendo majoritário os terpenos não-oxigenados como β- e α-pineno (21,46% e
19,43%), E-cariofileno (10,89%) e aromadendreno (9,17%). Foi sugerida a estrutura química
do fenilpropanoide 2’,4’,6’-trimetóxifenil-butano para o quinto constituinte majoritário
(8,45%), através de análises complementares por RMN 1H e 13C. Além disso, um óleo rico em
β- e α-pineno e de alto rendimento foi obtido com apenas 2 h de extração. O segundo estudo
consistiu na desreplicação de extratos metanólicos e partições subsequentes de folhas de
Eugenia copacabanensis e M. tenella. Atráves de análise por CG-EM, CLAE-DAD e CLAE-
DAD-EM, foram identificadas 104 substâncias, sendo para cada espécie 78 e 64 substâncias,
em sua maioria inéditas. Para a espécie E. copacabanensis, destacam-se o ácido 3-O-
cafeoilquínico – ácido clorogênico, o galato de metila, a quercitrina, os derivados de
procianidina tipo B e os isômeros de estrictinina e tellimagrandina I. No extrato e partições de
M. tenella, o ácido elágico e seus derivados, como o ácido 3,3’-O-dimetil elágico, e os
flavonóis quercetina 3-O-(6’’-O-galoil)-galactosídeo, quercetina 3-O-(6’’-O-galoil)-
glicosídeo, hiperosídeo e isoquercitrina foram observadas majoritariamente. Diferentes
classes foram isoladas ou obtidas em mistura, como o sesquiterpeno 2-metóxi-clovan-9-ol na
partição hexânica de folhas de E. copacabanensis e com estrutura elucidada por experimentos
uni- e bidimensionais de RMN 1H e 13C. O terceiro estudo teve como objetivo caracterizar um
produto liofilizado de frutos de Myrcia eriopus. Através da análise por CLAE-DAD e IES-
QTdV-EM, 5 antocianinas monoglicosiladas e outras 2 substâncias fenólicas (ácido gálico e
miricetina) foram identificadas, com destaque para a delfinidina 3-O-glicosídeo e a petunidina
3-O-glicosídeo. O pó liofilizado apresentou alto teor de antocianinas e potencial antioxidante
quando comparados a outros frutos brasileiros. Todos os resultados impactam positivamente
na preservação das espécies nativas brasileiras, através da caracterização química e dos
ensaios biológicos feitos em parceria, sendo previamente publicados em revistas científicas de
alto impacto.