Efeitos do hidrato de morina sobre o desenvolvimento e metabolismo de Aedes aegypti.
Flavonoide, controle biológico, desenvolvimento, metabolismo energético, suscetibilidade vetorial.
Aedes aegypti é o principal vetor de arboviroses de grande impacto em saúde pública, como dengue, zika, chikungunya e febre Mayaro, sendo capaz de adaptar-se a diferentes ambientes e desenvolver resistência a inseticidas sintéticos. Nesse cenário, compostos naturais como os flavonoides surgem como alternativas promissoras no manejo integrado de vetores. O hidrato de morina, flavonol de origem vegetal, tem sido estudado por suas propriedades farmacológicas, mas pouco se conhece sobre sua ação em insetos vetores. O objetivo deste trabalho foi avaliar de forma integrada os efeitos do hidrato de morina sobre o metabolismo energético e parâmetros biológicos de A. aegypti, com enfoque na sobrevivência, no desenvolvimento, na fertilidade e na suscetibilidade vetorial. Para isso, foram conduzidos ensaios laboratoriais com larvas expostas ao composto em diferentes concentrações e condições nutricionais, sendo avaliados crescimento, sobrevivência, reservas energéticas, perfil bioquímico e metabolômico, além de ensaios de infecção com vírus Mayaro e análises complementares de toxicidade em organismos não-alvo. Os resultados mostraram que o hidrato de morina provoca mortalidade larval dependente da dose, retarda o desenvolvimento e reduz a fertilidade de fêmeas emergidas, mesmo quando a exposição ocorre apenas em estágios juvenis. Observou-se depleção significativa de lipídios, carboidratos e proteínas, associada a alterações em vias metabólicas e indução de estresse oxidativo, configurando um estado fisiológico semelhante ao jejum. Essa perturbação energética repercutiu na fase adulta, comprometendo a reprodução e reduzindo a suscetibilidade vetorial para o vírus Mayaro. Além disso, os testes em camundongos demonstraram ausência de efeitos tóxicos relevantes, reforçando o potencial seletivo e ambientalmente seguro do composto. Em conjunto, os achados revelam que o hidrato de morina atua como um modulador metabólico multifuncional, capaz de comprometer simultaneamente sobrevivência, metabolismo, desenvolvimento e reprodução de A. aegypti, configurando uma alternativa promissora para o desenvolvimento de novas estratégias de controle sustentáveis e seletivos.