PLANEJAMENTO, SÍNTESE E AVALIAÇÃO FARMACOLÓGICA DE BASES DE MANNICH DERIVADAS DA LAUSONA: POTENCIAIS AGENTES ANTIMALÁRICOS E ANTICOLINESTERÁSICOS
Lausona, Mannich bases, cholinesterases, malaria
A naftoquinona lausona, um corante laranja obtido das folhas da planta hena, é amplamente utilizada para colorir cabelos e pele. Além disso, tem aplicação significativa na síntese orgânica, particularmente na reação multicomponente de Mannich com aminas e aldeídos, resultando em compostos conhecidos como bases de Mannich. Estes compostos são notáveis tanto por sua diversidade estrutural quanto por suas variadas atividades biológicas, incluindo a inibição da enzima acetilcolinesterase, relevante no tratamento da doença de Alzheimer. Esta doença é caracterizada por falhas na comunicação neuronal com as sinapses, comprometendo o fluxo de informações relacionados à memória e ao pensamento. Além disso, as bases de Mannich demonstram atividade antiparasitária, especialmente contra a malária, uma doença parasitária causada por protozoários do gênero Plasmodium, transmitidos por mosquitos Anopheles.
Embora existam tratamentos estabelecidos para a malária e doença de Alzheimer, esses tratamentos estão associados a efeitos colaterais e, no caso da malária, a problemas de resistência aos fármacos. Assim, há uma necessidade contínua de novas alternativas terapêuticas. Este trabalho visa contribuir para a descoberta de novas substâncias com potencial terapêutico para ambas as doenças. Propomos a síntese de dezesseis novas bases de Mannich derivadas de lausona, com potencial para inibição das enzimas colinesterases e atividade antimalárica. O planejamento estrutural foi orientado por duas estratégias principais: bioisosterismo e homologação, baseadas nos fármacos donepezila, um inibidor de colinesterase, e atovaquona, um antimalárico.
A síntese foi realizada por meio da reação multicomponente de Mannich com a lausona, três aldeídos (formaldeído, acetaldeído e benzaldeído) e oito aminas distintas. As reações foram conduzidas seguindo os princípios da química verde, a purificação foi alcançada por recristalização, com rendimentos finais variando de 30 a 90%. Para melhorar a solubilidade, as bases de Mannich foram convertidas em cloridratos com alta pureza confirmada por Cromatografia Líquida de Alta Eficiência (CLAE). As estruturas foram determinadas por Espectrometria de Massas e Ressonância Magnética Nuclear (RMN) de Hidrogênio (1H) e Carbono (13C).
Os cloridratos foram avaliados quanto à porcentagem de inibição enzimática frente à acetilcolinesterase (AChE) e butirilcolinesterase (BChE). O cloridrato LaDMol377 se destacou por seu perfil promissor de inibição da AChE, incentivando a continuidade dos estudos enzimáticos. A atividade antimalárica dos cloridratos está atualmente em fase de avaliação, e os resultados são aguardados.