PROSPECÇÃO DE MACROALGAS MARINHAS PARA AVALIAÇÃO DA ATIVIDADE CONTRA Leishmania infantum E DETERMINAÇÃO DO PERFIL DE ESTERÓIS DE Neobenedenia melleni
Leishmania infantum, Neobenedenia melleni, Algas Bentônicas.
Algas marinhas se proliferam através da retenção de nutrientes presentes na água. Assim, sua ocorrência se dá de forma acentuada em águas com altas concentrações de matéria orgânica. Devido à fotossíntese, águas com elevada proliferação de algas apresentam redução de oxigênio dissolvido, o que impacta a fauna do ecossistema em questão, motivando a retirada de excessos de algas destes locais por parte dos órgãos de proteção ambiental, o que garante a viabilidade de biomassa para estudos fitoquímicos, sem que se ocasionem impactos ambientais. Plantas marinhas necessitam produzir metabólitos secundários relacionados à defesa contra predadores, em concentração capaz de resistir ao efeito diluente da água do mar, de forma a serem efetivos em baixas concentrações. Assim, produtos naturais marinhos tendem a ter alta atividade biológica em baixas concentrações. A perspectiva de compostos com atividades biológicas de interesse à saúde humana justifica o estudo de produtos naturais marinhos, sobretudo lançando mão de ferramentas como modelagem molecular e modificação estrutural, como forma de equacionar a relação atividade/toxicidade, o que motivou a realização deste estudo acerca da atividade de extratos de algas marinhas contra Leishmania infantum. O gênero Leishmania compreende protozoários digenéticos, que vivem alternadamente em hospedeiros vertebrados e insetos vetores, sendo estes, responsáveis pela transmissão do parasito de um hospedeiro para outro. L. infantum é uma das espécies responsáveis pela ocorrência da leishmaniose visceral, forma clínica da doença que acomete além de humanos, demais animais vertebrados, principalmente cães. Foram testadas diferentes concentrações de extratos brutos e frações básicas de Ulva fasciata, Ulva flexuosa, Dictyota menstrualis, Sargassum vulgare e Hypnea musciformis contra promastigotas de L. infantum, onde após o período de incubação de 72h, a 26ºC, foi adicionado o reagente resazurina, indicador de atividade metabólica mitocondrial. Com exceção das frações básicas de D. menstrualis e H. musciformis, os demais extratos e frações não apresentaram atividade frente ao parasito, nas concentrações testadas (0 - 128 µg/mL). As frações básicas de D. menstrualis e H. musciformis apresentaram IC50 de 55,08 e 71,3 µg/mL, respectivamente, o que evidencia o potencial dos produtos naturais marinhos como fonte de compostos bioativos. O fracionamento bioguiado das frações básicas de D. menstrualis e H. musciformis originaram as frações HBH e F2’, respectivamente apresentando valores de IC50 = 30,4 e 62,2 µg/mL, demonstrando a importância das etapas de fracionamento, para a otimização da atividade biológica. N. melleni é um ectoparasita de peixes marinhos, de ocorrência acentuada em sistemas de cultivo, responsável por grandes perdas para indústria da maricultura. O parasito fixa-se principalmente nos olhos do hospedeiro, causando cegueira, natação errática e dificuldade na alimentação, o que pode levar à morte se não tratado. O principal tratamento se dá através de banhos de água doce, os quais causam choque osmótico e consequente desprendimento do parasito. Devido à logística e altos custos envolvidos nesta forma de tratamento, torna-se de grande interesse o desenvolvimento de tratamentos alternativos para o controle deste parasito. Diante dos poucos estudos acerca de sua fisiologia e metabolismo, fazem-se necessários estudos prévios acerca dos potenciais alvos farmacológicos a serem explorados. Neste contexto, foram identificados os principais esteróis presentes no extrato lipídico preparado a partir dos tecidos do parasito pelo método de Bligh & Dyer (1959), e avaliados através de CCF e CG-EM. Constatou-se que o parasito apresenta os precursores esqualeno e desmosterol, além de colesterol e ésteres de colesterol, o que indica que o este possua o complexo enzimático necessário à biossíntese de colesterol e ao armazenamento deste sob a forma de ésteres. Desta forma, as enzimas envolvidas na biossíntese de colesterol representam potenciais alvos farmacológicos para o controle de N. melleni.