A manipulação do Sistema Endocanabinoide e seus efeitos sobre comportamentos relacionados ao TDAH e a Neurotransmissão Dopaminérgica e Norepinefrinérgica em modelo animal
TDAH, Dopamina, Norepinefrina, Sistema Endocanabinoide.
O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é um distúrbio do neurodesenvolvimento caracterizado por disfunções cognitivas e comportamentais, como déficit de atenção, impulsividade e hiperatividade. Os fundamentos neurobiológicos envolvidos no TDAH ainda não estão completamente elucidados. A dopamina, que controla muitas funções fisiológicas vitais e comportamentos complexos, e a norepinefrina, que está envolvida em processos de atenção, são neurotransmissores que aparentemente desempenham papel importante em diversos distúrbios neuropsiquiátricos, como a esquizofrenia e o TDAH. Evidências indicam que alterações nos sistemas dopaminérgico e norepinefrinérgico no córtex pré-frontal contribuem significativamente para sua fisiopatologia. Os transportadores de dopamina e norepinefrina exercem papéis centrais na homeostase desses neurotransmissores e na modulação de funções executivas. O sistema endocanabinoide (SEC), por meio dos endocanabinoides anandamida (AEA) e 2-araquidonoil-glicerol (2-AG), dos receptores CB1 e CB2 e das enzimas envolvidas em sua síntese e degradação, regula processos neurobiológicos como cognição, emoção e memória. Estudos apontam que o SEC interage funcionalmente com os sistemas dopaminérgico e norepinefrinérgico, sugerindo um papel modulador relevante na neurobiologia do TDAH. Modelos animais como os ratos DAT-KO, que apresentam deleção do gene DAT, têm sido amplamente utilizados para investigar as consequências da hiperfunção dopaminérgica, demonstrando fenótipos compatíveis com os sintomas do TDAH. Assim, a análise da interação entre o SEC e os sistemas dopaminérgico e norepinefrinérgico pode contribuir para o avanço da compreensão fisiopatológica do TDAH e abrir novas possibilidades terapêuticas.