Análise dos Efeitos Biológicos de extratos da Espécie Vegetal Cannabis sativa (Linnaeus) em Modelos de Estudos de Agregação de Proteínas Associadas a Doenças Neurodegenerativas
Cannabis sativa, doenças neurodegenerativas, α-sinucleína, beta-amiloide, Saccharomyces cerevisiae, células H4.
As doenças neurodegenerativas, em geral, são caracterizadas por perdas progressivas de neurônios vulneráveis e estão relacionadas a anormalidades conformacionais de proteínas, como a formação de oligômeros contendo a proteína α-sinucleína na doença de Parkinson (DP) e o peptídeo β-amiloide na doença de Alzheimer (DA). A planta C. sativa tem um perfil químico diversificado dependendo do seu genótipo, incluindo várias classes de substâncias, tais como canabinoides, flavonoides, terpenos e alcaloides. Porém, a maioria das pesquisas aborda o papel dos fitocanabinoides de maneira isolada. Neste estudo, avaliamos os efeitos de quatro extratos de C. sativa com diferentes perfis químicos de fitocanabinoides em dois modelos celulares que reproduzem alterações na homeostase celular comuns durante a fase celular da DP e da DA. Utilizamos cepas de Saccharomyces cerevisiae, com deleção no fator de transcrição Yap1p e transformada com DNA plasmidial expressando aSyn e Aβ42, além de células humanas geneticamente modificadas (H4) expressando aSyn. A caracterização fitoquímica revelou extratos ricos em tetrahidrocanabinol – THC (69,88 %), canabidiol – CBD (52,64 %) e canabinol - CBN (47,38 % e 58,64 %), e concluímos que, independentemente dessas percentagens, todos os extratos de C. sativa apresentaram atividade antioxidante independente do sistema de defesa antioxidante endógeno, e reverteram o desbalanço redox causado pelas proteínas associadas a doenças neurodegenerativas. No entanto, os extratos não foram capazes de proteger os danos mitocondriais causados pela expressão de aSyn, embora tenham protegido as mitocôndrias afetadas pelo peptídeo Aβ42, sugerindo seletividade perante a proteína expressada. Além disso, os extratos reduziram o número de inclusões intracelulares nas células H4 e aumentaram o número de células sem inclusões, demonstrando atividade biológica protetora contra a toxicidade causada pela produção de aSyn em células H4. Os extratos de C. sativa mostraram efeitos promissores na modulação de inclusões de aSyn e na proteção antioxidante intracelular, mas seu papel na regulação das mitocôndrias ainda precisa ser melhor investigado.