Planejamento, Síntese e Avaliação Biológica de Novas Chalconas como Potenciais
Agentes Anti-prion
Doença priônica, Buchwald-Hartwig, N-arilação.
As doenças relacionadas a eventos de enovelamento incorreto de proteínas são uma família de
desordens neurológicas debilitantes, degenerativas, progressivas, fatais e atualmente
intratáveis. Na doença priônica, a proteína priônica normal (PrPC) é convertida à isoforma
infectante (PrPSc) rica em folhas β, de difícil degradação por proteases e propensas a formar
agregados fibrilares responsáveis pela neurotoxicidade da isoforma patogênica. Embora muitos
compostos tenham demonstrado inibir o processo de conversão à PrPSc, até o momento não há
terapia eficaz para esse tipo de doença visto que a maioria dos compostos estudados in vitro
possuem perfil farmacocinético desfavorável. Este trabalho propõe a síntese de cinco séries
(Série A, B, C, D e E) de chalconas, baseadas no protótipo J8, desenvolvidas como possíveis
compostos anti-prion capazes de atuar como chaperona química na estabilização
conformacional da isoforma não infectante PrPC, impedindo a formação de PrPSc. A primeira
série (Série A) de compostos foi totalmente sintetizada com rendimentos satisfatórios através
da condensação de Claisen-Schmidt seguido da reação de acoplamento cruzado de BuchwaldHartwig. Das sete chalconas sintetizadas para série A, quatro delas apresentaram um ótimo
perfil biológico, conseguindo inibir a interconversão, in vitro, de PrPC em PrPSc em até 80% na
concentração de 10 M, cujos valores superaram os obtidos para o protótipo J8. Alguns
compostos finais das séries B, C e E já foram sintetizados, demonstrando que a rota sintética
empregada é eficiente, enquanto o desenvolvimento sintético da série D encontra-se
interrompido no penultimo intermediário-chave. Os compostos de todas as séries foram
submetidos a estudos in silico de docking molecular e possibilitaram a melhor compreensão do
sítio de ligação da proteína priônica e o perfil de interação entre as chalconas e a PrP121-231. Os
estudos de docking molecular realizados para série D sugerem que estes são os derivados mais
promissores de todas as séries, cujos valores de energia de ligação se mostraram melhores que
os encontrados para as chalconas da série A, que já possuem um ótimo perfil farmacológico