Desenvolvimento e aplicação de nanoemulsão à base de alginato e óleo essencial de pimenta rosa como revestimento ativo em queijo minas frescal
Nanoemulsões, Óleo essencial de pimenta rosa, Revestimento ativo, Microfluidização, Queijo Minas Frescal.
Esta tese teve por finalidade desenvolver nanoemulsões à base de alginato de sódio e óleo essencial de pimenta rosa (PPEO) a partir da técnica de microfluidização. Oito formulações foram avaliadas quanto ao efeito do uso de óleo de girassol e lecitina de soja como estabilizantes, considerando suas propriedades físico-químicas, físicas e antimicrobianas contra os microrganismos patogênicos Salmonella sp., Escherichia coli, Listeria monocytogenes e Staphylococcus aureus. Além disso, investigou-se a aplicação dessas nanoemulsões como revestimento ativo em queijos Minas Frescal, analisando seus efeitos sobre as propriedades físico-químicas, de textura, cor e eficácia antimicrobiana frente à inoculação de Listeria monocytogenes e Staphylococcus aureus durante 28 dias (4 °C). Os resultados mostraram que as nanoemulsões apresentaram tamanho de gota inferior a 200 nm, comportamento reológico de fluido newtoniano e estabilidade cinética ao longo de 20 dias. A fase dispersa das nanoemulsões (PPEO) foi misturada a óleo de girassol, com o intuito de preservar o óleo essencial de condições de processo (altas pressões e temperatura).De fato, a adição de óleo de girassol na formulação proporcionou uma retenção de 80% do PPEO nas nanoemulsões. Testes antimicrobianos in vitro revelaram que as nanoemulsões foram eficazes contra Staphylococcus aureus e Listeria monocytogenes, com concentrações inibitórias mínimas (CIM) de 200 µg/mL e concentrações bactericidas mínimas (CBM) de 800 µg/mL e 400 µg/mL, respectivamente, destacando o potencial do PPEO como agente natural de biopreservação. As nanoemulsões com as melhores propriedades antimicrobianas contra Staphylococcus aureus e Listeria monocytogenes, foram utilizadas como revestimento ativo em queijo Minas Frescal. Os revestimentos ativos com nanoemulsão contribuíram para manutenção da umidade e preservação da coloração dos queijos Minas Frescal. Contudo, a interação do revestimento ativo com a matriz do queijo favoreceu o aumento da sinérese, afetando negativamente o dessoramento. No que se refere aos parâmetros de textura, o revestimento ativo reduziu a dureza e adesividade dos queijos, enquanto aumentou a coesividade, mastigabilidade e gomosidade. Apesar dos benefícios físico-químicos, a eficácia antimicrobiana do revestimento ativo in situ foi limitada, sem impacto significativo na redução das populações de Listeria monocytogenes e Staphylococcus aureus inoculadas, possivelmente devido às interações dos compostos ativos com a matriz do queijo e aos elevados níveis de sinérese. Conclui-se que as nanoemulsões à base de alginato de sódio e PPEO possuem relevante potencial como uma alternativa sustentável aos conservantes sintéticos. No entanto, o desempenho in situ evidenciou a necessidade de ajustes na formulação e novas estratégias de aplicação, além de estudos em outras matrizes alimentares, para ampliar sua eficiência e viabilidade para a indústria de alimentos.