Estudo da Casca de Jamelão (Syzygium Cumini (L.) Skeels) por CLAE-DAD E CLUE-QTOF-EM-EM
Jamelão, antocianinas, flavonoides, CLAE-DAD, CLUE-EM
O jamelão (Syzygium cumini (L) Skeels.) desperta interesse devido as suas propriedades medicinais, as quais geralmente são relacionadas à atividade antioxidante devido os compostos fenólicos presentes em sua composição. O objetivo deste estudo foi extrair, isolar e identificar antocianinas presentes nas cascas do jamelão (Syzygium cumini (L.) Skeels) por CLAE-DAD e identificação dos flavonoides por CLUE-EM-EM. A partir da casca liofilizada do fruto, foram elaborados os extratos (fração fenólica não-antôcianica, extrato bruto (I) e extrato antociânico (II)). Para a fração fenólica não-antociânica foi utilizado uma solução de acetona 60% em água, isolamento por CLAE-DAD e identificação dos fenólicos não-antôcianicos por CLUE-EM-EM. Para o extrato bruto foi utilizada uma solução de MeOH 10% de ácido fórmico. Para o extrato antociânico: extração com acetona 70% em água Milli-Q, isolamento com cartucho Oasis® MCX Cartridge Waters e identificação por CLAE-DAD. A potencial capacidade de sequestro dos compostos antioxidantes pelas técnicas de ABTS e ORAC, e a quantificação dos compostos fenólicos totais foi determinada nos extratos I e II produzidos nos anos de 2017 e 2018. Avaliação da estabilidade das antocianinas foi avaliada nos extratos I e II do ano2017. Foram identificados por CLUE-EM-EM a miricetina-3-O-galactosídeo (TR=5,27), miricetina-3-O-glicosídeo (TR=5,49), mirecitina-3-O-pentose (TR=6,56), mirecitina-3-O-ramnose (TR=7,04), laricitrina-3-O-glucoronídeo (TR=7,84), quercitina- 3-O-hexose (TR=8,72), sirigetina-3-O-galactosídeo (TR=10,33), sirigetina-3-O-glicosídeo (TR=10,56), sendo que a laricitrina-3-O-glucoronídeo e a quercitina- 3-O-hexose foram identificadas pela primeira vez no fruto do jamelão. Foram identificadas as antocianinas: delfinidina-3,5-O- diglicosilada (TR = 2,8), cianidina-3,5-O- diglicosilada (TR =3,9), petunidina-3,5-O- diglicosilada (TR =4,6), malvinidina-3,5-O- diglicosilada (TR= 6,9), sendo a petunidina-3,5-O- diglicosilada a antocianina majoritária. Para análise de fenólicos totais para o extrato I a média encontrada para o lote de 2017 foi de 4.740,32 mg.EAG.100g-1 e para o lote de 2018 foi de 8.351,87 mg.EAG.100g-1. No extrato II do lote de 2017, a média foi 469,18 mg.EAG.100g-1 e o lote de 2018 foi de 482,47 mg.EAG.100g-1. A capacidade antioxidante por ABTS foi determinada em ambos extratos para os anos de 2017 e 2018: extrato I - 2017 (178,78 μM.Trolox.g-1) e extrato I-2018 (739,30 μM.Trolox.g-1), extrato II - 2017 (32,17 μM.Trolox.g-1), extrato II- 2018 (36,89 μM.Trolox.g-1). Na análise de ORAC a capacidade antioxidante determinada foi significativamente maior: extrato I - 2017 (499,91 μM.Trolox.g-1), extrato I- 2018 (759,33 μM.Trolox.g-1),extrato II - 2017 (147,51 μM.Trolox.g-1), extrato II 2018 (169,56 μM.Trolox.g-1). A estabilidade das antonianas totais do extrato I no período de 0 a 60 dias não variou significamente (dia (0) 4,24 mg.100g-1 e sessenta (60) 4,50 mg.100g-1), em contrapartida no extrato II (dia (0) 2,27 mg.100g-1 e sessenta (60) 1,69 mg.100g-1) uma pequena variação foi observada. Em relação ao teor de antocianinas monoméricas extrato I (dia (0) 3,96 mg.100g-1 e (60) 4,34 mg.100g-1) e II (dia (0) 2,20 mg.100g-1 e (60) 1,62 mg.100g-1) não variou no período de 0 a 60 dias . O jamelão considerada uma fruta não comercial, demonstrou ser uma fonte de compostos fenólicos (antocianinas e flavonoides), com estabilidade durante um período de 60 dias. Desse modo apresenta valor nutricional e potencialidade de cultivo no Brasil por frutas como o jamelão.