Alimentos saudáveis, industrializados e ultraprocessados: como são percebidos pelos brasileiros?
Estudo do consumidor, associação de palavras, sistema NOVA, processamento de alimentos.
O processamento de alimentos inclui operações que transformam matérias-primas em novos produtos, assegurando a preservação e o fornecimento de alimentos seguros. No entanto, nem sempre essa visão é percebida pelos consumidores que tendem a associar qualquer tipo de processamento a algo negativo e prejudicial à saúde. Diante disso, o objetivo deste estudo foi avaliar a percepção dos consumidores brasileiros em relação aos alimentos processados, considerando o interesse em saúde e o perfil sociodemográfico dos participantes. Assim, 512 brasileiros completaram uma tarefa de associação de palavras sobre “Alimentos saudáveis”, “Alimentos industrializados” e “Alimentos ultraprocessados”. Em seguida, responderam um questionário sobre o interesse em saúde e questões sociodemográficas. No geral, os participantes associaram “Alimentos saudáveis” principalmente aos produtos “In natura”. Já “Alimentos industrializados” e “Alimentos ultraprocessados” foram associados a “Produtos processados”, “Percepções negativas”, “Malefícios à saúde” e “Indústria”. Apesar disso, verificou-se que “Alimentos industrializados” foram percebidos positivamente, principalmente devido à praticidade. A percepção do consumidor sobre alimentos foi influenciada (p≤0,05) tanto pelo interesse com a saúde, quanto pelo perfil sociodemográfico. Indivíduos com alto interesse em saúde associaram principalmente “Alimentos industrializados” e “Alimentos ultraprocessados” com a presença de conservantes, aditivos e agrotóxicos e a doenças. Já com relação àqueles com baixo interesse em saúde, verificou-se maior desconhecimento dos termos. Embora tenham sido observadas associações que coincidiram com o Guia Alimentar, dúvidas e desconhecimento foram observados para os Alimentos industrializados e ultraprocessados, principalmente entre os consumidores com baixa escolaridade. Os resultados indicam a necessidade de desenvolver estratégias de comunicação que alcancem os consumidores, de forma a facilitar a compreensão e, dessa forma, contribuir para que façam escolhas alimentares mais conscientes.