Corantes Naturais em Diferentes Variedades de Batatas-doces
corante natural, antioxidante, espectrometria de massas, batata-doce,
agricultura orgânica
A batata-doce (Ipomoea batatas L.), de cultivo rústico, rica em carboidratos e
fitoquímicos funcionais, corantes naturais, antioxidantes e pró-vitamínicos A, possui
grande potencial para gerar desenvolvimento social e econômico para as populações mais
carentes e distantes dos centros urbanos. Pode auxiliar na prevenção da pobreza e das
doenças relacionadas à desnutrição, à avitaminose A e ao estresse oxidativo. É uma opção
para impulsionar sistemas de produção orgânicos e gerar alimentos mais saudáveis, com
maiores teores de nutrientes e substâncias funcionais, de forma sustentável. Seus corantes
naturais (carotenoides e antocianinas) podem substituir com vantagens funcionais os
corantes sintéticos utilizados em alimentos industrializados. O perfil de carotenoides e
antocianinas de muitas variedades de batata-doce ainda estão sendo publicados em
trabalhos recentes, já que muitas moléculas destas substâncias ainda não foram
elucidadas. O potencial funcional desses fitoquímicos depende da sua estabilidade
perante tratamentos térmicos e da disponibilidade após o processo digestivo. O objetivo
deste trabalho foi caracterizar e quantificar os carotenoides e antocianinas de quatro
variedades de batatas-doces cultivadas em sistema orgânico e avaliar a retenção nas
formas de consumo mais comuns. Para isso foram cultivadas quatro variedades de batata-
doce orgânicas, preparadas nas formas in natura, cozidas e fritas para avaliação dos
teores, retenção e perfis. As técnicas analíticas utilizadas foram espectrofotometria,
Cromatografia Líquida de Alta Eficiência com Detector de Arranjo de Diodos (CLAE-
DAD) e Espectrometria de Massas de Alta Resolução com Ionização por Eletrospray
(IES-QTdV-EM2
). A maior parte dos carotenoides e antocianinasfoi identificada e alguns
foram detectados pela primeira vez na matriz, como 6 antocianinas aciladas, dentre as 22
detectadas na variedade de pele e polpa roxas, na maioria derivadas de peonidina,
justificando a tonalidade rosa e, aciladas com ácidos cafeico, p-hidroxicinâmico e
principalmente ferúlico. Na variedade de pele branca e polpa roxa foram identificadas 14
antocianinas já conhecidas, a maior parte derivada de cianidina, justificando a tonalidade
azul e, aciladas com os mesmos ácidos principalmente o cafeico. Duas delas diaciladas,
raras em batata-doce, derivadas de pelargonidina, que só foram identificadas em batata-
doce em uma publicação. Não foram detectadas antocianinas não aciladas. Os perfis das
antocianinas dessas batatas-doces as diferenciam de outras variedades. As antocianinas
foram estáveis ao cozimento e fritura, que facilitaram a desorção das mesmas do amido
das matrizes durante a extração, resultando em teores três vezes mais altos do que nas
batatas-doces in natura, indicando que o aquecimento deve ser inserido no preparo dessas
variedades antes da liofilização, que também aumenta a extração das antocianinas, sem
degradá-las. O perfil de carotenoides da cultivar IAPAR 69, de polpa alaranjada teve o
b-caroteno como majoritário (>90%) e zeinoxantina como minoritário e, teores totais de
quase 65 mg 100-1 g-1 em base seca (BS) com isomerização após cozimento e fritura e,
retenções em torno de 55%. A variedade de polpa amarelada, com 2 mg 100-1 g-1 BS de
carotenoides totais não identificados apresentou perfil raro característico de novas
xantofilas semelhantes àquelas encontradas em apenas uma publicação, com degradação
após cozimento e fritura e, retenções em torno de 82%.