Aspectos tecnológicos e nutricionais no desenvolvimento de pães e massas alimentícias integrais de milheto (Pennisetum glaucum (L.) R.Br.) utilizando a tecnologia de extrusão termoplástica
Extrusão termoplástica, Alimento funcional, Produtos isentos de glúten, Massa alimentícia, panificação.
Novas fontes de alimentos têm sido exploradas com objetivo de proporcionar ao consumidor uma maior diversidade alimentar com teores nutricionais elevados. O milheto (Pennisetum glaucum) é um cereal com alto teor de nutrientes como proteínas e compostos bioativos, e ainda isento de glúten, sendo uma interessante opção de alimento para celíacos. No Brasil, apesar desta cultura estar adaptada as nossas condições agrícolas com cerca de 4 milhões de hectares plantados, sua produção é destinada apenas para alimentação animal e para cobertura vegetal (plantio direto). É um grão subutilizado na alimentação brasileira, possivelmente, pela falta de conhecimento acerca dos benefícios nutricionais e dos produtos que podem ser elaborados com o grão. Massas alimentícias e pães elaborados a partir de farinha refinada são produtos alimentícios tradicionais com alta aceitabilidade, porém, de elevado valor energético, alto índice glicêmico, baixos teores de fibra alimentar, minerais e vitaminas. Para elaboração de produtos de panificação e de pastifício é notória a importância das proteínas do glúten, o qual são fundamentais na formação de rede, microestrutura e textura destes produtos, logo, quando ausentes, são necessários ingredientes ou processos que promovam tais características. O objetivo deste trabalho foi desenvolver uma massa alimentícia e um pão do tipo forma a partir de farinha integral de milheto. A principal estratégia utilizada para suprir a ausência do glúten foi a utilização da extrusão termoplástica para a modificação da farinha integral de milheto. A tese foi subdivida em 3 capítulos, no Capítulo I, foi elaborado um extensa revisão bibliográfica sobre cerais integrais, grãos de milheto, produtos de panificação e de pastifício e mercado glúten free. No Capítulo II, foi desenvolvido um pão glúten free elaborado com 100% de farinha integral de milheto a partir da mistura de farinha de milheto crua (FMC) e farinha de milheto pré-cozida (FMPC) por extrusão. Os pães produzidos com FMPC:FMC (50:50) apresentaram características físicas semelhante aos pães integrais comerciais. O uso da extrusão aumentou a capacidade antioxidante (215,2 ± 1,9 μM Trolox/g) e a inibição enzimática da -glicosidase (96,31±0,005%) em relação ao produto elaborado a partir da farinha crua. No Capítulo III foi
desenvolvida uma massa alimentícia do tipo fusilli com 100% de farinha integral de milheto a partir da mistura de farinha de milheto crua (FMC) e farinha de milheto pré-cozida (FMPC) por extrusão. As massas de fusilli formados pela mistura de farinhas crua e pré-cozida (FMPC:FMC) exibiram melhor integridade, apresentando características satisfatórias, se comparado as massas comerciais integrais glúten free. Quanto aos parâmetros de textura, massas com FMPC:FMC apresentaram valores mais elevados do que as com FMC, se aproximando das massas alimentícias comerciais. A capacidade antioxidante (DPPH e FRAP), fenólicos totais e a atividade antihiperglicêmica foi maior para FMPC:FMC do que para macarrões preparados somente com FMC. A avaliação global do produto preparado com farinha FMPC:FMC foi de 66%. De acordo com os avaliadores, a textura é a característica que mais precisa ser melhorada. Dessa forma, a utilização de farinhas de milheto pré-cozidas por extrusão termoplástica pode ser uma alternativa na elaboração de produtos de panificação e de pastifício isentos de glúten e com melhores propriedades funcionais.