Solubilização da hidroxiapatita por diferentes ácidos tem efeito nas características físico-químicas da
matriz óssea e demonstra separação do colágeno tipo I no osso bovino
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Osso bovino é fonte de colágeno tipo I (COL I) e seu potencial biotecnológico tem sido desperdiçado
em função da matriz óssea ser resistente a processos de obtenção. Assim, tem ganhado destaques
soluções para a separação do COL I de fontes ósseas a partir da transformação funcional da matriz
(GOMEZ-GUILLEN et al., 2011; RAVINDRAN; JAISWAL, 2016; STRØM-ANDERSEN, 2020;
SULTANA; ALI; AHAMAD, 2018). Pois, o COL I em matrizes ósseas é timidamente explorado e
tecnologias inovadoras são requeridas (BUCKLEY, 2016; FERRARO; ANTON; SANTÉ-
LHOUTELLIER, 2016; FU et al., 2019a; LIU et al., 2019a).
A matriz óssea é formada por sequências ordenadas de fibras helicoidais de colágeno e cristais
minerais responsáveis pela rigidez estrutural, sendo sua histologia a junção das frações orgânica
(osseína) e inorgânica (hidroxiapatita). O COL I representa 90% da fração orgânica e compõe o tecidual
conjuntivo nos seus vários níveis de organização com os demais compostos. Na fração inorgânica,
cristais de cálcio e fósforo são predominantes no ordenamento da estrutura, de modo a assegurar a
rigidez (DUNNING, 2002; FERREIRA et al., 2012; FU et al., 2019a; LIU et al., 2019a; TZAPHLIDOU,
2008).
Solubilização via ácidos orgânicos vem sendo estudada nos resíduos ósseos pois afetam a estrutura
osseína-hidroxiapatita em diferentes morfologias (AL-KAHTANI et al., 2017; CHEN et al., 2021;
MENG et al., 2022; MOHAMMADIAN; MADADLOU, 2018). Os processos de obtenções de COL I
utilizam a solubilização ácida (ANDONEGI; DE LA CABA; GUERRERO, 2020; JAZIRI et al., 2022;
LIU; HUANG, 2016; LIU et al., 2022) e o ácido acético vem sendo empregado como solvente pela
capacidade de solubilização da matriz óssea (BRODSKY; RAMSHAW, 1997; GELSE; PÖSCHL;
AIGNER, 2003; GOMEZ-GUILLEN et al., 2011). Porém, quando o ácido acético é associado aos ácidos
lático ou propiônico é verificada uma sinergia com melhoria significativa no processo de solubilização
da hidroxiapatita (JAZIRI et al., 2022; KANWATE; KUDRE, 2017; LIU; HUANG, 2016).
Apesar de existir estudos sobre obtenção do COL I em fontes ósseas (GAO et al., 2018; HASSAN
et al., 2021; WU et al., 2019a), inclusive para o osso bovino e suas propriedades funcionais (CAO et al.,
2020; FERRARO et al., 2017; PAOLA et al., 2019), são limitadas as padronizações da solubilização da
hidroxiapatita via ácidos e o reconhecimento dos efeitos físico-químicos na qualidade do colágeno ósseo
(CHANG; BUEHLER, 2014; GEORGIADIS; MÜLLER; SCHNEIDER, 2016; URIST; MIKULSKI;
LIETZE, 1979). Estudos emergentes estão abordando técnicas de solubilização para reconhecer os
processos de obtenção do COL I ósseo (CAO et al., 2021; FERRARO; ANTON; SANTÉ-
LHOUTELLIER, 2016; FU et al., 2019b; LIU et al., 2019b) e existem frequentesinvestigações da matriz
óssea não direcionadas a separação do COL I (CHEN et al., 2011; DUNNING, 2002; GEORGIADIS;
MÜLLER; SCHNEIDER, 2016; TZAPHLIDOU, 2008; WU et al., 2021). Portanto, nesse estudo foi
investigado a separação do COL I no resíduo de tíbia bovina utilizando solventes ácidos para a
solubilização da hidroxiapatita e avaliado os efeitos físico-químicos na osseína-hidroxiapatita
caracterizando a matriz óssea antes e despois da solubilização por quantificação dos componentes,
distribuição granulométrica, espectroscopia e microscopia.