Banca de DEFESA: ERIKA RAMOS MELLO

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : ERIKA RAMOS MELLO
DATA : 27/07/2023
HORA: 10:00
LOCAL: Instituto de Veterinária
TÍTULO:

Avaliação clínico-patológica de suínos diagnosticados com Senecavírus A no Sudeste do Brasil


PALAVRAS-CHAVES:

suínos, patologia, vírus


PÁGINAS: 70
RESUMO:

Senecavírus A (SVA) é um vírus da família Picornaviridae, a mesma do vírus da febre aftosa (VANNUCCI et al., 2015). Ambas têm evolução clínica semelhante são distinguíveis apenas com diagnóstico laboratorial (HAUSE et al., 2016) e as suspeitas de casos devem ser notificadas imediatamente ao Serviço Veterinário Oficial (SVO) (BRASIL, 2013). Os primeiros relatos da doença no mundo aconteceram em 2007 no Canadá e em 2015 no Brasil, com surtos em diversos estados (LEME et al., 2015). Nos poucos trabalhos publicados, os aspectos clínico-patológicos da Senecavirose vêm sendo preteridos por enfoques genéticos. Desta forma, o presente estudo tem por objetivo descrever as alterações clínicas, hematológicas e anatomopatológicas de suínos diagnosticados com SVA no estado de São Paulo. O projeto foi aprovado pela CEUA/IV/UFRRJ (6856071221). Trata-se de um estudo observacional descritivo com amostra de conveniência na qual o namostral foi igual à casuística de colheitas do SVO para investigação de doença vesicular entre outubro de 2021 e abril de 2022. O exame clínico, colheita de sangue e fragmentos de órgãos foram executados nas granjas e no frigorífico de abate. Os testes virológicos foram realizados pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de Pedro Leopoldo/MG. O ensaio para detecção do SVA por técnicas moleculares do tipo RT-qPCR foi realizado segundo o Método de Ensaio de Laboratório de Referência MET/LREF/030 - V.1 do Centro Pan-Americano de Febre Aftosa. Os hemogramas foram realizados segundo Thrall et al. (2015). Para as análises bioquímicas, utilizaram-se kits comerciais LabTest® conforme recomendações do fabricante e abordaram os perfis hepático de fosfatase alcalina (FA), gamaglutamiltransferase (GGT), aspartato aminotransferase (AST), alanina aminotransferase (ALT) e bilirrubina total (BT); renal (ureia e creatinina) e muscular creatinoquinase (CK) e lactato desidrogenase (LDH), ambas realizadas pelo Laboratório de Patologia Clínica da UFRRJ. O exame clínico foi realizado segundo Feitosa et al. (2014). Durante o abate, fragmentos de estômago, intestinos delgado e grosso, baço, rim, bexiga, língua, coração, pulmão, tonsilas, fígado e sistema nervoso central foram colhidos, fixados em formol tamponado a 10% e processados rotineiramente no Laboratório de Histopatologia do Setor de Anatomia Patológica da UFRRJ. Dentre as doenças vesiculares de suínos, Febre Aftosa e Senecavirose são clinicamente indistinguíveis (HAUSE et al., 2016), portanto foi realizado o teste FMDV-ELISA 3ABC Prionics para Febre Aftosa, com resultado negativo. Foram confirmados três surtos de Senecavirose no estado de São Paulo, nos municípios de Cerqueira César, Águas de Santa Bárbara e Iaras, com amostragens de 8, 12 e 16 animais, abatidos aos 140, 159 e 151 dias de idade, respectivamente. A morbidade foi de 30% nos três focos e a mortalidade foi de 1,74% nos dois primeiros e 1,96% no terceiro. Clinicamente, observaram-se, além de dermatite e hiperqueratose na região distal dos membros, enterite não-hemorrágica, tosse não-produtiva e caudofagia, vesículas em membros e focinho, claudicação, dificuldade de locomoção, anorexia e letargia sintomas já descritos nessa infecção (OLIVEIRA et al., 2017; ABCS, 2019). Não há estudos que correlacionem a infecção por SVA a alterações de hemograma ou bioquímica sérica. Não foram observadas alterações dignas de nota no hemograma, entretanto, o exame bioquímico revelou elevação dos valores médios de AST, LDH e CK, provável consequência de lesão muscular. Os valores de CK, cuja referência vai de 2,4 a 22,5U/L, estavam aumentados em todos os animais, variando de 1900U/L a acima do limite de detecção do método utilizado, possivelmente associado à infecção pelo SVA. A avaliação macroscópica do coração revelou áreas pálidas com distribuição multifocal, alterações não relatadas na inspeção post mortem em suínos com SVA (LISE et al., 2019). O exame microscópico evidenciou, no coração e no músculo estriado esquelético diversos grupos de miofibras eosinofílicas com núcleos picnóticos, por vezes com inflamação mononuclear e áreas de fibrose. Adicionalmente, havia leve a moderada enterite atrófica linfoplasmocitária no intestino delgado, moderada glossite necrotizante, leve a moderada hiperplasia linfóide esplênica, leve a moderada nefrite intersticial linfoplasmocitária, vacuolização de células epiteliais tubulares renais, degeneração balonosa das células do epitélio transicional da bexiga, vacuolização do epitélio da língua, estruturas eosinofílicas intracitoplasmáticas sugestivas de corpúsculos de inclusão no epitélio da língua, vacuolização de hepatócitos, discreta hepatite linfoplasmocitária periportal, elém de pneumonia broncointersticial. Os resultados da histopatologia diferem daqueles da Universidade Estadual de Iowa, em que não se observou lesões microscópicas específicas além das lesões ulcerativas por evolução das vesículas (GUO et al., 2016). Em contrapartida, parte dos resultados já foi descrita por Oliveira et al. (2017) e Leme et al. (2016) e corpúsculo de inclusão intracitoplasmático no epitélio da língua não havia ainda sido descrito. A infecção por SVA causa alterações relevantes na bioquímica sérica, possivelmente causadas pelas lesões musculares e as avaliações macroscópicas e microscópicas revelam lesões que podem auxiliar no diagnóstico; algumas dessas nunca anteriormente descritas na literatura.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 2606155 - VIVIAN DE ASSUNCAO NOGUEIRA CARVALHO
Interna - 2572430 - CRISTIANE DIVAN BALDANI
Externa ao Programa - 3324429 - ANDRESA GUIMARAES - UFRRJExterno à Instituição - FABRICIO NASCIMENTO GAUDENCIO - CESVA
Externa à Instituição - MARIANA CORREIA OLIVEIRA - UES
Externa à Instituição - SAMAY ZILLMANN ROCHA COSTA
Notícia cadastrada em: 30/06/2023 15:57
SIGAA | Coordenadoria de Tecnologia da Informação e Comunicação - COTIC/UFRRJ - (21) 2681-4638 | Copyright © 2006-2026 - UFRN - sig-node2.ufrrj.br.producao2i1