Doença do armazenamento lisossomal induzida por Sida planicaulis Cav. (Malvaceae) em ovinos no Estado do Rio de Janeiro
Armazenamento lisossomal, ovinos, neurotoxicose, Sida
planicaulis.
SANTOS, André Marandola. Doença do armazenamento lisossomal induzida por Sida planicaulis Cav. (Malvaceae) em ovinos no Estado do Rio de Janeiro. 2018. 64p. Tese (Doutorado em Medicina Veterinária, Programa de Pós-Graduação em Medicina Veterinária). Instituto de Veterinária, Universidade Federal Rural do
Rio de Janeiro, Seropédica, RJ, 2018.
Descreve-se um surto de doença do armazenamento lisossomal em ovinos induzida pelo consumo de Sida planicaulis no Estado do Rio de Janeiro. A ingestão de S. planicaulis Cav. (S. carpinifolia) é responsável pelo aparecimento desta enfermidade em bovinos, equinos, caprinos, ovinos e cervídeos cativos que ocorre, de forma natural, quando a planta predomina na pastagem e há baixa oferta de outras forragens. O principal composto tóxico desta planta, a swainsonina, inibe atividade enzimática de α-manosidase I e II que redunda no armazenamento de glicoproteínas no interior de lisossomos. Este acúmulo de substâncias promove compressão, deficiência no transporte intracitoplasmático e finalmente degeneração em diversos tecidos, dentre os quais o mais afetado é o nervoso. O exame clínico dos animais afetados revelou déficit proprioceptivo, incoordenação motora, cambaleio à movimentação e tremores de intenção e na cabeça. Houve aumento acentuado dos tremores em cabeça e membros, com posterior dificuldade de se manter em estação e queda ao solo após a realização do “Head-Raising Test”. A histopatologia evidenciou severa distensão de neurônios de Purkinje, com aspecto espumoso e eventual cariólise ou cariopicnose e intensa vacuolização de células acinares do pâncreas e foliculares da tireoide. Adicionalmente, foram observadas vacuolizações em grandes corpos de neurônios com dissolução do citoplasma associada à marcada proliferação de astrócitos morfologicamente atípicos. Notou-se também múltiplos esferoides axonais de variados tamanhos. O exame lectinohistoquímico positivo para as lectinas Con A, WGA e sWGA foi capaz de caracterizar a enfermidade como uma glicoproteinose. A avaliação ultraestrutural evidenciou numerosos vacúolos de até 2,5μm de diâmetro, delimitados por membranas de até 20nm de espessura em células acinares do pâncreas. O diagnóstico da intoxicação por S. planicaulis foi estabelecido através dos dados epidemiológicos, achados clínico-patológicos e confirmados pelas avaliações lectino-histoquímica e ultraestrutural. A intoxicação natural por S. planicaulis em ovinos ainda não havia sido descrita no estado do Rio de Janeiro.