SENSIBILIDADE A SONS DE FOGOS DE ARTIFÍCIO EM CÃES: FATORES DE RISCO, ABORDAGEM VETERINÁRIA E EFEITO DA ACUPUNTURA
caes - cortisol - variabilidade da frequencia cardíaca - fatores de risco - fobia a sons - medicina veterinária comportamental
A sensibilidade ao som de fogos de artifício em cães é uma condição cada vez mais comum e está frequentemente associada adiversas desordens comportamentais. As reações exageradas a estímulos sonoros se apresentam com uma variedade de sinais comportamentais associados a uma significativa ativação autonômica e liberação de cortisol, produzindo um impacto negativo na saúde física e bem-estar do animal. Apesar dos cães serem indivíduos muito sociáveis, cujo bem-estar geral está ligado à interação com humanos, a qualidade da relação entre eles e a rotina a qual o cão é submetido nos dias de hoje pode determinar justamente a exposição a fatores de risco que influenciam na forma como eles lidam com essas situações de estresse. Com o objetivo de investigar esses fatores risco ao desenvolvimento da sensibilidade a sons de fogos de artifício em seus distintos graus de manifestação, tutores de cães de diferentes regiões do país estão convidados a responder a um questionário online, contendo 30 questões divididas em 5 sessões de investigação (linhagem e origem; meio socioambiental; exposição e reação ao som; relação de cuidado e aspectos clínicos). De forma geral os transtornos comportamentais em cães são pouco tratados no Brasil. Em grande parte dos casos por falta de diagnóstico, possivelmente devido à falta de acesso dos médicos veterinários a um ensino que abranja de forma mais completa as doenças e transtornos comportamentais em cães. Essa condição pode definir a qualidade da abordagem médica a esses pacientes. E com o objetivo de investigar a qualidade da informação acerca da sensibilidade a sons em cães, recebida pelos médicos veterinários durante a formação acadêmica, que um questionário online contendo dezessete questões está em distribuição a médicos veterinários atuantes nos diferentes estados do país. Atualmente as abordagens clínicas para sensibilidade, fobia e pânico a sons de fogos de artifício, são compostas de intervenções farmacológicas de ação sedativa ou ansiolítica, e terapia comportamental associada a terapias que auxiliem no controle do estresse. A resolução é difícil já que envolve grande comprometimento do tutor e do médico veterinário para o acompanhamento e adaptações frequentes, além dos riscos de efeitos colaterais das drogas. Neste sentido, a acupuntura que tem se mostrado uma opção para o controle do estresse e ansiedade em humanos, pode contribuir também para animais, especialmente para pacientes com restrições ao uso de fármacos. Para verificar a eficácia da técnica para esses casos, dezenove cães sensíveis ao som de fogos de artifício previamente selecionados, foram submetidos ao som em laboratório com intensidade controlada de 103-104 dB e duração de 2,5 minutos. Foram avaliadas a atividade autonômica (através da variabilidade do intervalo cardíaco), endócrina (níveis de cortisol sérico) e comportamental (através de 20 parâmetros). Os cães foram divididos em dois grupos, controle (sem tratamento) e acupuntura (pontos Yintang, VG20, E36, Pc6, B52 e C7), e tratados por 8 semanas, sendo resubmetidos ao teste ao término. Para seleção e acompanhamento foram aplicados questionários aos tutores antes e após os tratamentos.