Influência do enxerto omental livre sem microanastomose vascular na integração de enxertos cutâneos em malha aplicados em ferida experimental de coelhos.
Cicatrização; Cirurgia Reconstrutiva; Epíplon; Oryctolagus cuniculus
Diante dos desafios no uso de enxertos cutâneos autólogos na cirurgia veterinária, cresce progressivamente a busca de alternativas no enriquecimento do processo de reparo. O presente trabalho tem como objetivo avaliar a influência do enxerto omental LSMAV na implantação de enxertos cutâneos em malha aplicados sobre feridas experimentalmente produzidas em coelhos. Foram utilizados 24 coelhos submetidos a celiotomia longitudinal mediana para coleta de um fragmento omental (4 cm2). Após a celiorrafia foram produzidas, em todos os animais, duas feridas quadradas de 4 cm2, uma em cada lado da região torácica dorsal, de forma que cada segmento de pele removido foi preparado para servir de enxerto cutâneo em malha, aplicado na ferida contralateral. Nas feridas controle (FC) o enxerto de pele foi suturado ao leito receptor utilizando-se pontos simples separados com fio poliamida 4-0, sem a presença do fragmento de omento entre o enxerto e o leito receptor. Nas feridas tratadas (FO) o fragmento de omento foi implantado no leito receptor utilizando-se oito pontos simples separados com fio de polidioxanona 4-0 em suas extremidades, com posterior sutura do enxerto de pele conforme descrito anteriormente. No pós-operatório foram instituídos terapia com antibiótico e analgésicos, curativo do tipo tie over nas feridas utilizando gel lubrificante hidrossolúvel, trocado aproximadamente a cada 3 dias, além de colar protetor e botas esparadrapadas para evitar automutilação. As feridas foram avaliadas quanto ao aspecto clínico nos dias 3, 7, 10, 14, 17, 21 e 28 pós-operatórios, atribuindo-se escores às características: aumento de volume, coloração, exsudato, desvitalização e deiscência de sutura. Ainda, os animais foram mantidos por períodos de 7, 14 e 28 dias (oito animais em cada período), quando então foram eutanasiados para avaliação anatomopatológica macroscópica (post-mortem) das feridas e obtenção de material para histopatologia (avaliação microscópica). Clinicamente destacou-se o aumento de volume nas FO, que se manteve por mais tempo e de forma mais intensa, sobretudo com consistência firme, na lateral dos enxertos a partir do terceiro dia de pós-operatório. Além disso, observou-se também nas FO produção de exsudato inflamatório por período mais prolongado, com evolução mais rápida dos enxertos para colorações escuras com aspecto ressecado e desvitalizado ao longo dos momentos de avaliação, não havendo integração do enxerto cutâneo em nenhum animal desse grupo. A avaliação anatomopatológica macroscópica evidenciou reação inflamatória mais intensa nas FO em todos os momentos de avaliação, porém com abrandamento dessas reações e evolução para reparo tecidual ao longo do tempo em ambos os grupos. A microscopia corroborou os dados das demais avaliações, sendo possível observar mais inflamação, com maior quantidade de células polimorfonucleares, mononucleares e células gigantes nos dias 14 e 28 de pós-operatório, maior intensidade de úlceras na epiderme no vigésimo oitavo dia e menos reepitelização nos dias 14 e 28 nas FO quando comparado às FC. Conclui-se que o enxerto omental LSMAV, apesar de ter se mantido viável e sem efeitos deletérios ao local de aplicação (leito receptor), não exerceu influência positiva na integração dos enxertos cutâneos em malha aplicados em feridas experimentais de coelhos.