Diagnóstico de Parabasalideos em Amostras Fecais de Animais Domésticos: Pequenos ruminantes e Suínos
tricomonose, Pentatrichomonas hominis, Tetratrichomonas, Cultivo in vitro, morfologia.
CARREIRO, Caroline Cunha, Diagnóstico de Parabasalideos em Amostras Fecais de Animais Domésticos: Pequenos ruminantes e Suínos, Seropédica; UFRRJ, 2018. 146 p. Tese (Medicina Veterinária) – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Seropédica, 2018.
Tricomonose é causada por protozoários pertencentes ao filo Parabasalia, que são encontrados parasitando o trato digestivo e geniturinário de diferentes espécies animais, inclusive humanos. Anteriormente esses parabasalídeos não eram considerados responsáveis por infecções emergentes por apresentar-se envolvidos não só em regiões específicas de infecção, como também hospedeiro-específico. No entanto, vem sendo observado à presença de um mesmo protozoário com uma grande diversidade de hospedeiros, sendo estes atribuídos a diferentes distúrbios clínicos, o que indica que esses organismos são oportunistas e se multiplicam ao encontrar condições favoráveis. No local da infecção geram inflamação local e facilitam a infecção por outros patógenos, e este sinergismo pode intensificar as patologias. Em suínos, esses flagelados são descritos no trato intestinal, e estão associados a quadro de diarreia; na cavidade nasal, está associado à rinite atrófica, além de outros distúrbios respiratórios. No entanto, pouco se sabe a respeitos das possíveis espécies de parabasalídeos envolvidas no parasitismo dos animais domésticos, sobretudo nos pequenos ruminantes. O objetivo desse estudo foi diagnosticar as espécies de parabasalideos encontradas no trato gastrointestinal de caprinos, ovinos e suíno. Para tal, este estudo foi dividido em partes. Na primeira foi feito a triagem das amostras, com avaliação de freqüência destes protozoários, isolamento e cultivo, além da caracterização morfológica a nível de filo e identificação molecular dos isolados. A segunda e terceira parte consistiram na tipificação do comportamento em meio de cultivo dos Tetratrichomonas sp isolados de amostras fecais de pequenos ruminantes e a caracterização morfológica dessa espécie, respectivamente. A freqüência de parabasalideos encontrada foi de 42,85 % em caprinos (6/14), 68% em ovinos (30/44) e 71,25% em suínos (57/80). O meio de cutivo CHD foi o melhor entre os testados para o isolamento desses flagelados; todos os isolados apresentaram características morfológicas compatíveis com o filo parabasalia. O seqüenciamento revelou que todos os isolados de pequenos ruminantes detinham 100% de similidades com Tetratrichomonas sp isolados de prepúcio de touro. Em suínos, além de diagnosticada diferentes espécies do gênero Tetratrichomonas, ainda foi isolado Pentatrichomonas hominis. Estes flagelados estão envolvidos em diversos distúrbios clínicos em diferentes hospedeiros, e o papel destes animais como reservatórios de parabasalideos devem ser cautelosamente considerados. Este é estudo foi o primeiro a relatar a ocorrência de Tetratrichomonas sp em pequenos ruminantes, e a cultivar estes espécimes em meio de cultivo.