Análises histopatológica, imunohistoquímica e ultraestrutural de omento saudável em cadelas e gatas.
Cirurgia reconstrutiva; cicatrização; epíplon; Mylk spots; reparo tecidual
O omento é um tecido presente em todos os mamíferos e há claras evidências de suas propriedades no tratamento de animais como o estímulo à neovascularização, reconstituição de tecidos, drenagem linfática, preenchimento de defeitos e incremento à cicatrização, inclusive em sítios com infecção. Sua aplicação se dá em lesões peritoneais e extra peritoneais com uso amplo na cirurgia, porém há informações escassas quanto à sua análise microscópica e composição, não sendo encontrados na Medicina Veterinária estudos que comparem as características do omento entre as espécies domésticas. O estudo dos componentes do omento nos animais se dá pela necessidade de compreender o verdadeiro valor deste tecido, explorando sua estrutura básica, para observar se há aglomerados de células imunes, os conhecidos “milk spots” (MS), assim como relatado no omento humano, e para determinar a composição e atividade desta população imune. Para isso, foram coletadas amostras de fragmento de omento medindo 2cm x 2cm de 15 gatas e 13 cadelas durante a cirurgia de ovariohisterectomia eletiva. As amostras foram, dependendo da análise efetuada, divididas em duas, uma fixada em formol tamponado a 10% para realização da técnica de histopatologia e imunohistoquímica no Laboratório de Imunohistoquímica do Setor de Anatomia Patológica da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) a fim de detectar células imunes (linfócitos B, T, macrófagos e células dendríticas); a outra amostra foi fixada em solução de karnovizk para análise ultraestrutural por meio de microscopia eletrônica de varredura e transmissão executadas no Laboratório de Microbiologia Unidade de Microscopia Multiusuário Souto-Padrón e Lins da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Nas avaliações histopatológica e imunohistoquímica não foram encontradas os MS, somente agregados de células de defesa principalmente na região translúcida e junto aos vasos. A população imune era composta principalmente por macrófagos, seguidos de linfócitos B e T nas cadelas; nas gatas havia menor número de células de defesa, sendo detectados somente macrófagos. Na microscopia eletrônica foi notada a presença de poros e estômatos linfáticos na superfície do omento nas duas regiões. Concluiu-se que apesar das pequenas diferenças em estrutura e composição do omento de cadelas e gatas em relação à espécie humana, os achados deste estudo demonstram o papel deste tecido nos mecanismos de defesa contra afecções intrabdominais e a validade de seu uso no reparo de lesões extraperitoneais nas espécies avaliadas.