Lesões de pele; retalhos cutâneos; tratamento de feridas; vasos sanguíneos.
Lesões na pele decorrentes de traumas, anomalias congênitas ou processos oncológicos, podem resultar em feridas de grandes dimensões e de difícil reparação, tornando frequente a necessidade de cirurgias reconstrutivas. A medicina de aves é responsável pelo atendimento de animais provenientes de vida livre e animais mantidos sob cuidados humanos. Onde a maior casuística são de aves vítimas de traumas, ocorridos principalmente por influências de ações antrópicas. Poucas são as alternativas disponíveis para o tratamento de grandes feridas nestes animais, sendo a cicatrização por segunda intenção a mais utilizada quando não há tecido suficiente para garantir a justaposição dos bordos da pele. Porém, este método prolonga o tratamento e pode estar associada a grandes contraturas na região cicatricial. Deste modo, técnicas cirúrgicas reconstrutivas de retalho de padrão axial poderiam ser empregadas para esta classe de animais. Esta técnica depende dos vasos presentes na pele para ser realizada, pois leva para o leito de uma ferida extensa, um flape de pele contendo uma artéria e veia cutânea direta, permitindo o aporte sanguíneo da região, o que garante maior taxa de sobrevivência do retalho e recuperação mais rápida do animal. O tratamento prolongado, a manipulação, e a contenção física diária podem ser fatais para esses animais, sobretudo quando estão debilitados ou doentes. Por este motivo, terapias que reduzam o tempo de manipulação e permitam melhora clínica em curto período, são essenciais. Buscando novas alternativas de tratamento, o presente trabalho teve como objetivo estudar anatomicamente a vascularização cutânea presente na pele das aves, visando auxiliar em cirurgias reconstrutivas de retalho de padrão axial. Foram utilizados 30 avestruzes (Struthio camelus), quinze machos e quinze fêmeas, cedidos pelo Departamento de Anatomia Animal e Humana da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), fixados em solução de formaldeído a 10%. As peças foram injetadas com uma solução de Petrolátex S65 misturado com pigmento Xadrez para corar as artérias e suas ramificações, e foram mantidas em cubas contendo formol a 10% até a dissecção. A dissecção foi realizada nas faces dorsal, ventral e lateral das aves, dos membros pélvicos, região abdominal e apenas face dorsal da região torácica. Foram identificados durante a dissecção nove artérias cutâneas distintas na pele dos filhotes de avestruzes. Sendo, sete vasos classificados como ramos cutâneos das artérias: cranial da coxa, femoral cranial, caudal da coxa, púbica, pudenda, caudal lateral e femoral profunda. E duas classificadas como artéria femoral cutânea lateral e artéria crural cutânea caudal. As regiões anatômicas das artérias cutâneas foram descritas e fotografadas. Sendo assim, o estudo permitiu identificar as artérias presentes na pele dos avestruzes e determinar suas posições anatômicas a fim de auxiliar o médico veterinário a criar retalhos de padrão axial para o tratamento de feridas extensas.